memoria

Neste breve texto, já falei que o computador não, não está funcionando. Ao chegar em casa da oficina e ligá-lo, tive minha primeira frustração. O dito técnico sequer tinha feito as atualizações do Windows. Ou seja, eu tinha em mãos um Windows de 2002 que, é óbvio, me era inútil. Não era possível nem mesmo instalar o antivírus recém adquirido em um Windows 2002. Muito menos a última versão do iTunes, para eu colocar um pouco de música na minha vida.

Fiquei baixando as atualizações durante uma tarde. Findo o período, o computador parou de funcionar. Voltou a me proporcionar tédio, cada vez que eu clicava em um ícone, na expectativa de por exemplo abrir o navegador de internet ou o editor de texto ou, ainda, desligar o equipamento. Fiquei, claro, bem pê da vida. Afinal, o técnico, quando me entregou a CPU, falou exatamente assim: “o computador está ótimo”.

De qualquer forma, pensei que com mais memória isso poderia se resolver.

Passados alguns dias, fui à Santa Ifigênia, que é a rua no Centro de São Paulo onde se encontra equipamentos de informática por preços mais baixos. Na primeira lojinha, perguntei se tinham uma memória DDR. O sujeito me olhou com cara de “claro que não”. Ainda tirei da bolsa a memória que veio no computador. Então ele falou que não, não tinha, e que dificilmente eu iria encontrar esse modelo, pois era muito “antigo”.

Quando, na segunda loja, me falaram a mesma coisa, me dei conta de que não estava disposta a ficar batendo de porta em porta, por conta da falta de responsabilidade dos fabricantes de equipamentos eletrônicos e afins, ao não garantir a oferta de peças de reposição por um período razoável (artigo 32 do Código de Defesa do Consumidor). E do serviço meia boca do técnico, que não resolveu o problema.

Portanto, levei a CPU de volta a ele, perguntei se aquilo seria mesmo resolvido pelo aumento da memória, e o técnico falou que ia averiguar. Uns dois dias depois ele liga com a seguinte informação: não tenho a memória. Isso mesmo, ele não tem a memória! Aquela que ele queria me vender, na verdade ele não tem. “Naquela época eu tinha”. Sei. Aí, sabe o que ele me propôs? Comprar uma nova CPU.

-Hahahahahaha-

Só pode ser piada. Ah, e no fim das contas ele até achou uma memória no modelo requerido. Por R$ 250.

-Hahahahahaha-

É uma história muito longa, não? Vou resumir a próxima parte: troquei uns dez emails com a Dell, pedindo que eles me arrumassem uma memória. No último, me falaram que eu tinha que ligar pro atendimento da empresa. Depois de cerca de 40 minutos pendurada, em duas ligações (na primeira desligaram na minha cara), a resposta foi: a Dell não possui mais nenhuma peça para esse modelo. E não, não pode indicar nenhum fabricante ao qual eu possa recorrer.

No momento, ainda estou tentando ver se alguma boa alma por acaso tem uma memória dessas em algum canto esquecido do armário. Bem difícil, né? Só para não dizer que não tentei.

O próximo passo é pedir meu dinheiro de volta lá onde eles “consertaram” o computador. Provavelmente não será muito fácil, como já deu a entender o técnico de meia tigela. O Procon e o Juizado Especial Cível (JEC) estão aí para isso. Basta que eu encontre a nota fiscal (céus, onde foi que eu guardei mesmo?!).

*Obs: Para saber um pouquinho sobre o JEC, recomendo a leitura deste texto: Vá à Justiça sem precisar de advogado, publicado ontem no blog Advogado de Defesa, do Estadão. A maioria das causas atendidas nesse fórum é relacionada a direitos do consumidor.

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Não vi o filme, mas certeza que é talvez seja disso que se trata!

Detalhe

27/05/2009

Foto_computador_vintageEncontrei um computador do mesmo modelo que o meu na seção “vintage” de um site!

http://www.recycledgoods.com/item/34026.aspx

E lá ele só custa 289 dólares. Isso significa que eu já gastei quase o que ele vale, sem que para isso ele tenha voltado a funcionar. E que realmente ele é considerado uma antiguidade.

O começo da saga

27/05/2009

Meu computador é um desktop da Dell comprado em 2002. É, portanto, uma antiguidade digna da lixeira mais próxima, para muitas pessoas. Para mim, não. Acho um absurdo as coisas serem feitas para durar tão pouco. Diante do fato de o equipamento não funcionar direito já há alguns meses, resolvi testar quanto esforço e dinheiro custa tentar trazê-lo de volta à vida. Ele está lentíssimo e, a cada clique, bocejo três vezes antes de uma resposta, ou antes de ele travar e precisar ser reiniciado.

O bom é que há outro computador disponível na casa. O ruim é que com isso deixo que o problema se arraste por todo esse tempo, meses.

Levei-o a um técnico ao lado de casa algumas semanas atrás. O diagnóstico foi que o defeito estava no HD, que precisaria ser trocado. Outra “recomendação” (atenção, uma “recomendação”, e não uma “condição” para o troço funcionar) seria acrescentar à memória de 256 MB pelo menos outra de 512 MB. Autorizei a troca do HD, porém achei melhor tentar encontrar uma memória mais barata do que a que ele estava me oferecendo a R$ 130.

Quando cheguei lá, o técnico tinha resolvido trocar também a placa de som. Pensei comigo: caralho, quem autorizou? Mas tudo bem, não falei nada. O que importava é que eu ia levar o computador pra casa e, finalmente, ele ia voltar a funcionar.

Lá nos idos de março estive em Porto Seguro, numa viagem bancada pela sogrinha. Era uma dessas promoções de resorts, “pague um, leve dois”. Ela decidiu “pagar três e levar seis”, e assim lá fomos eu, namorado, cunhada, concunhado, sogra e prima do namorado. A prima, além disso, levou os pais. Uma festa ambulante, portanto! Tudo transcorreu muito bem, até que, no último dia, me deparei com aquela maldita sina que acomete praticamente qualquer cidadão ou consumidor, ao menos neste país: o desrespeito aos nossos direitos.

Eu precisava me conectar à internet, pra poder pagar o aluguel que tinha me esquecido de acertar antes. Havia um computador disponível para os hóspedes. Mas somando o fato de ele ser apenas um – bem concorrido por sinal – à falta de segurança de se efetuar pagamentos via computadores de uso público, decidi usar a conexão wi-fi do hotel, já que a prima tinha levado um notebook.

“A diária é de 20 reais”, me informou o recepcionista. Falei “beleza” e peguei os dados necessários para me conectar. Fui lá pro quarto da prima, paguei minhas contas e pronto. Isso era por volta das 20h do dia 5. No dia seguinte, me lembrei que tinha conexão até mais ou menos as 20h. Fui ver emails, outras pessoas viram emails, demos umas navegadas pra ver qualquer coisa… e desligamos. Passaram-se os dias e chegou a hora da partida, no dia 9. A sogrinha ficou lá uma meia hora pagando a conta, e quando terminou deu a notícia: cobraram duas diárias de internet!

Fui lá resolver, afinal eu tinha contratado o serviço e era eu quem ia devolver o valor à sogra.

– Oi, Vítor, acho que houve um engano, pois eu só contratei um dia de internet.
– Mas consta aqui que a internet também foi usada no dia seguinte.
– Sim, mas não depois de 24 horas.
– A cobrança é feita por cada dia. Se você usou no dia seguinte, paga dois dias.
– Mas não era isso que você tinha falado!
– Acho que foi isso que eu falei, pois é assim que é.

A conversa foi mais ou menos essa. Eu insisti que ele havia me dado uma informação incorreta e que, por isso, eu tinha direito de pagar somente uma diária. Ele me deixou plantada lá 20 minutos, enquanto aparentemente conversava com algum responsável dentro da salinha atrás do balcão. Voltou, e ficou ali, atendendo outras pessoas e tal. Quando eu perguntei “e aí?” ele respondeu deslavadamente “é isso mesmo, não tem como fazer o estorno”.

No fim das contas, a gerente nem estava lá e eu peguei um cartão do hotel, anotei o nome dele e prometi vingança. Não com essas palavras, claro. Ah, também sugeri que, para evitar abusos como este, fizessem um pequeno contrato com os termos do serviço.