Tetrapak_riscadaDepois que eu mandei o email, como consumidora, para este endereço (falecom.meioambiente@tetrapak.com) me responderam rapidinho. Imagino que a mensagem que eu enviei pra assessoria de imprensa da empresa, como jornalista, tenha dado um empurrãozinho (recapitule o assunto).

Em resumo, a Tetra Pak, além de encher um pouco de lingüiça sobre o tanto que ela se preocupa com o meio ambiente, pediu o contato do sucateiro do meu prédio, pra ver se resolve o problema. Nessas palavras:

Quanto à empresa que fazia o trabalho de recebimento das embalagens, por favor nos informe o nome e se possível os dados para contato que verificaremos o que ocorreu e trabalharemos para que essa situação seja revertida.”

Sei que ainda não fizeram nenhum contato desde que eu mandei as informações, no dia 17/06,  porque tenho falado com o sucateiro.

Já a assessoria ainda não respondeu a minhas outras questões (elas também estão nesse post). Mas me convidou, na semana passada, a  conhecer o “ciclo da reciclagem”, na região de Valinhos (SP), que incluiria a visita a uma cooperativa de catadores, a uma fábrica de artigos plásticos e a uma fábrica de telhas feitas de Tetra Pak. Levada, junto com outros jornalistas, pela própria empresa. Faz parte do marketing, é claro. E acho que não resolveria o meu problema, mas pelo menos eu conheceria um pouco mais sobre os trâmites da reciclagem.

O problema é que acabou não sendo possível pra mim, devido ao trabalho, e assim também perdi a oportunidade de conversar com um diretor da empresa, a fim de tentar esclarecer um pouco esse assunto crucial. Vou tentar de novo obter as informações, mandando uma nova mensagem, agora.

Por enquanto, vou evitando produtos com a embalagem longa vida. Afinal, meu lema do momento é: não basta ser “100% reciclável”. Tem que ser reciclado, isso sim!

Crédito: Stock.Xchng

É importante ressaltar que, em casos como esse do post anterior (Loja “Cem noção”) – em que o fornecedor não cumpre o prometido – é recomendável que o consumidor evite ao máximo recorrer ao cancelamento da compra via cartão de crédito ou sustação de cheques. Isso não quer dizer que ele não tenha esse direito. Ocorre que medidas como essas podem provocar a inclusão de seu nome – ainda que ilegalmente –  nos serviços de proteção ao crédito (como SPC ou Serasa) ou em cartório de protestos. E isso vai dar mais dor de cabeça ainda.

Assim, caso decida realmente cancelar o negócio, o consumidor deve, em primeiro lugar, procurar a empresa fornecedora e pedir a restituição do valor pago – se usou cheques, a devolução destes. A melhor forma de fazê-lo é por meio de uma carta com “aviso de recebimento”, ferramenta que comprova, como o próprio nome diz, seu recebimento. Na carta, sempre deve ser determinado um prazo para a solução do problema. Caso não funcione, aí o cidadão recorre ao Procon ou à Justiça para resolver a pendenga.

No Código de Defesa do Consumidor (CDC), são os artigos 35 e 48 que determinam a obrigatoriedade do fornecedor de cumprir aquilo a que se comprometeu. No caso relatado, o combinado foi a entrega da escrivaninha no dia seguinte, na casa da consumidora. Segundo o artigo 35, em caso de descumprimento, além de rescindir o contrato (“com direito à restituição de quantia eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos”), o consumidor tem duas outras opções:

  • exigir o cumprimento forçado da obrigação,
  • ou aceitar outro produto ou serviço equivalente.

Vale dizer que a escolha entre uma das três hipóteses é, sempre, do consumidor.

escrivaninhaO texto abaixo é uma contribuição da minha amiga e ex-companheira de trabalho Mônica Ramos, que se gradua em jornalismo no fim deste ano e que é ímã de casos como esse!

“Foi sexta-feira, dia 29 de maio. Esperava, esperava e nada. Então, peguei o telefone. 103, auxílio à lista.

– Lojas Cem, Franco da Rocha.
– Alô, Ângela? Aqui é a Mônica, comprei uma escrivaninha ontem, lembra? Você disse que ela chegaria hoje de manhã, mas já é quase meio-dia…
– O entregador já saiu. Deve estar chegando.

Antes de sair para trabalhar aviso a minha irmã sobre a entrega. No meio da tarde, falo com ela pelo msn. “Chegou?”, “não”. Repito a pergunta mais vezes durante o dia e a resposta não muda. Por volta das 5 da tarde, decidi ligar novamente na loja.

– Oi, Ângela, é a Mônica de novo. Minha escrivaninha ainda não chegou.
– Chegou, sim. O entregador disse que deixou com um rapaz.
– Não tem nenhum “rapaz” na minha casa!
– Ah, o entregador falou que não tinha ninguém na sua casa e por isso deixou com um rapaz que disse que te conhecia, que mora lá perto.

Claro que tinha gente! E outra: não pedi pra deixar com nenhum vizinho! Discussão vai, discussão vem…

– Ok, você sabe pelo menos com quem o entregador deixou?
A resposta foi “não”.

Muito irritada com a situação bizarra, telefonei para casa para confirmar se o móvel não havia chegado mesmo. Afinal, se algum vizinho tivesse recebido, já deveria ter avisado. “Não.”

Ligo de novo para falar com a vendedora. Ela, novamente, diz que o entregador deixou com “um rapaz”, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo! Irritada, peço para falar com o gerente. Quem me atende é o subgerente, Manoel.

A conversa não foi muito diferente. Ele só soube me dizer para eu checar se não estava com nenhum vizinho. “Que ótimo! Compro uma coisa, dou o endereço da minha casa para entrega e depois tenho de sair batendo na porta dos vizinhos para saber se eles receberam!”. Mesmo diante da situação absurda, pedi que minha mãe checasse com os mais próximos. Não estava com ninguém.

Telefonei mais uma vez e só pude me irritar com a incapacidade do subgerente de tomar qualquer medida para resolver o meu problema. Após eu muito pressioná-lo, ele disse que falaria com seu superior e me ligaria no dia seguinte, pois estava tarde e ele não poderia fazer nada àquela hora.

Desliguei o telefone e decidi que iria à loja assim que possível. “Se não me providenciarem outra escrivaninha imediatamente, vou cancelar a compra”, pensei. Mas já imaginei também a dor de cabeça que provavelmente teria: cobranças indevidas, discussões, Procon etc. Não chegou a tanto. Mas o fim da história foi ainda mais estranho.

No sábado, estava na aula de inglês quando o celular tocou. “Sua escrivaninha chegou, quem entregou foi o seu Valdemar”, “quem?”, “um senhor que mora no fim da rua. Disse que é tio da vendedora e que deixaram o móvel na casa do vizinho dele”. Que maluquice!

Cheguei à minha casa e lá estava a escrivaninha no quarto, onde deveria estar desde a manhã anterior. Apesar de ter, finalmente, recebido o produto, pensei que merecia uma explicação sobre o que, afinal de contas, havia acontecido. Na terça-feira, mandei um e-mail para o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) das Lojas Cem reclamando do ocorrido e destacando, principalmente, que, até então, ninguém da loja havia me ligado sequer para saber se eu tinha recebido o móvel.

No dia seguinte me liga o Lauro, gerente da rede em Franco da Rocha. Me pediu desculpas pelo ocorrido e disse que “entendia, por um lado” a minha reclamação. Como se só por ter recebido a escrivaninha eu devesse estar satisfeita!

Ele me disse que a vendedora mora na mesma rua que eu, com o tio, e por engano colocou o número da residência dela no endereço de entrega. Daí a confusão. “OK, erros acontecem. A questão é que a loja não tomou nenhuma providência para revolver o meu problema”, rebati.

Depois de mais um blablablá e pedido de desculpas, o gerente perguntou se estava tudo certo com o móvel. Falei que ele estava meio bambo e ele garantiu que mandaria um montador para averiguar. E não é que, dois dias depois, ele mandou mesmo! Reclamar ao SAC às vezes funciona. Mas depois de tanta confusão, prefiro evitar outra compra nas Lojas ‘Cem noção’.”

Projeto Black Pixel

16/06/2009

BP2Muito legal a proposta do Greenpeace para os usuários de computador instalarem em suas máquinas um programa que insere um quadradinho preto no monitor.

O objetivo é, ao ganhar escala, economizar energia e, principalmente, mobilizar e fazer pensar.

Clique AQUI e assista a um vídeo explicativo.

Clique AQUI e AQUI para obter mais informações e baixar o programa.

Só faltou dizer quantas pessoas já aderiram! A meta deles é chegar a um milhão de pessoas. E você, já está participando?

Tetrapak_peqNo prédio onde moro há cinco anos o lixo reciclável é separado faz tempo. Parece que foi um dos primeiros em São Paulo a fazer isso. Desde o início, os moradores são informados e os funcionários, treinados. São estes últimos que vendem o material e ficam com o total ou parte do dinheiro resultante do negócio feito com uma pequena empresa, localizada próximo daqui, que faz a triagem e revende para a indústria o que ali já é chamado de “matéria prima”. Mas, se antes o volume de cerca de uma tonelada que os moradores geram, mais ou menos mensalmente, rendia entre R$ 170 e R$ 200, agora não passa muito mais de R$ 70.

É que o mercado de recicláveis oscila bastante, de acordo com variáveis que incluem a demanda por parte das empresas que irão reciclá-los e o preço internacional de commodities. O petróleo, por exemplo. Seu preço influencia o valor do plástico “virgem”, que conseqüentemente influenciará o do plástico “de segunda mão”. A forte redução nas cifras de alguns produtos ou mesmo a falta de comprador para eles leva os catadores, as cooperativas e as empresas de triagem a os deixarem de lado. Alguns até mudam de ramo, por acharem que não vale mais a pena. Recentemente, precisei de um encanador, e ele me contou que até algum tempo atrás ele trabalhava com isso.

Por algum motivo, o pessoal que compra os recicláveis do meu condomínio parou de receber as embalagens longa vida, fabricadas pela Tetra Pak. Não tem compradores. Também tomei conhecimento da informação de que apenas 25,5% desse material é reciclado no Brasil, segundo o Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem, associação, mantida por empresas privadas, que acompanha o setor). Assim, sobram 7 bilhões e 450 milhões de unidades – já que, segundo a revista Época Negócios, em 2008 foram produzidas quase 10 bilhões dessas embalagens – para passarem muitos e muitos anos ocupando imensos espaços em nossos lixões e aterros.

Acho estranho que, diante disso, a Tetra Pak se gabe tanto sobre suas práticas ambientalmente corretas. Parece que a empresa até faz algumas coisas positivas. Divulga pontos de coleta de longa vida para reciclagem, e explica o ciclo de vida do produto em seu site, por exemplo. De acordo com a companhia, o papel utilizado nas embalagens, que corresponderia a 75% de sua composição, é certificado pelo FSC (Conselho de Manejo Florestal), o que teoricamente significa que não há desmatamento predatório para obtê-lo. Mesmo assim, não adianta o produto ser “100% reciclável”, como se pode ler em qualquer embalagem Tetra Pak, se só 25,5% do volume produzido é, de fato, reciclado!

Na minha opinião, toda empresa deveria se preocupar com a destinação pós-consumo daquilo que produz. Mesmo que isso ainda não tenha se tornado lei no Brasil – a lei de resíduos sólidos está em “tramitação” (isto é, em alguma gaveta empoeirada do Congresso) há nada menos que 18 anos!

Mandei um email ontem à tarde para o “fale conosco” que consta no site da Tetra Pak (falecom.meioambiente@tetrapak.com), mas ninguém me respondeu ainda. Hoje, mandei as seguintes questões para a assessoria de imprensa da empresa:

  • O índice de reciclagem de embalagens Tetra Pak no Brasil é mesmo de 25,5%?
  • Por que o índice é tão baixo?
  • Existe algum planejamento para elevá-lo?
  • Qual é a destinação desses 25,5%? No site da Tetra Pak, vi a informação de que há 30 empresas que recebem esse material para reciclá-los. Vocês podem me informar que empresas são essas e onde elas estão localizadas?
  • De que forma a própria Tetra Pak atua nesse elo da cadeia (reciclagem), além da divulgação de pontos de coleta e cooperativas?

Voltando ao assunto de me cobrarem duas diárias de internet wi-fi em um hotel de Porto Seguro (assunto do primeiro post).

Passaram-se os meses e eu resolvi dar atenção ao problema. Não é tanto pelo valor. Uma diária da tal internet wi-fi me custaria R$ 20 e conseqüentemente eu fui pilhada em outros R$ 20, com a diária “extra” proporcionada pelo hotel. A canseira que dá ficar correndo atrás de todas as picuinhas que colocam na nossa frente geralmente não vale os meros R$ 20. O pior de tudo, na realidade, é a nítida sensação de terem escrito isso na minha testa: O T Á R I A.

Como eu trabalhei no Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) durante quatro anos, deu tempo de aprender algumas coisas importantes. Por exemplo, que primeiro de tudo se deve tentar uma “solução amigável”.

Vou mandar uma carta para o La Torre Resort, falando sobre o direito à informação “adequada e clara”, prevista no artigo 6º inciso III do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que eles não respeitaram. O CDC  determina que a informação deve ser transmitida de maneira eficaz (artigo 31). Quando isso não é feito, pode ser configurado “vício do serviço”, de acordo com o artigo 20. Ou publicidade enganosa (artigo 37, parágrafos 1º e 3º). No jargão, “vício” equivale a “defeito”.

Darei um prazo de resposta e aguardarei. Caso não resolvam, já me informei que posso acionar o Procon de São Paulo – mesmo embora o problema tenha ocorrido na Bahia.