AR_La_TorreO tempo voa. Foi em março que o La Torre Resort me cobrou uma diária a mais de internet e aqui estou falando novamente (ainda) do assunto. Eu achei que a notícia de hoje seria boa. Afinal, eu mandei uma carta para os caras falando dos meus direitos e exigindo meu dinheiro de volta. Isso foi no dia 8 de junho.

É, fui a uma agência dos Correios, coisa rara nos dias que correm. E mandei a carta com “aviso de recebimento” (AR), pra no fim das contas ter uma comprovação de que o hotel havia recebido a comunicação.

Gente, eu já estava achando que tinha arrumado mais um problema de consumo. Quando me dei conta, já era tipo 10 de julho e até então não tinha recebido o AR de volta! Estava pra ligar nos Correios reclamando, quando finalmente ele chegou. O carimbo dos Correios baianos – mais especificamente, porto segurenses – acusa que a carta só chegou lá no dia 9 de julho! Um mês e um dia depois do envio. E nem era Manaus ou Macapá. Já pensou?

Uma vez minha avó mandou uma carta pro meu irmão, que estava de intercâmbio em uma cidadezinha na Geórgia (EUA), chamada Cairo. Como ela se esqueceu de colocar o CEP ou o país, não lembro do que ela se esqueceu exatamente… a carta, dali um mês mais ou menos, voltou com carimbos de devolução do Egito! Nada mais compreensível.

Mas demorar um mês pra chegar a Porto Seguro, que fica a 1.500 quilômetros de São Paulo…

Não percamos nosso assunto de vista.

Um ou dois dias antes de receber o AR, na realidade, atendi a uma ligação:
– Recebemos a carta. A senhora está certíssima, me disse a voz com sotaque (francês).

No dia 13 de julho, numa nova ligação pegaram os dados da minha conta. Outra voz afirmou: “Vamos efetuar o depósito assim que possível”.

Já se passaram 15 dias. Será que ainda não foi possível? De repente é a internet que não está funcionando, e ir ao banco é muito difícil.

Da minha parte, ir ao Procon também não é assim super fácil e animador, mas eu juro que estou juntando vários problemas de consumo, pra ir lá e resolver tudo de uma vez.

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Olá, este post é só pra dizer o seguinte: prefiro não publicar comentários cujo autor não esteja identificado, ok? Não me parece muito transparente, qualidade que muito prezo. Mas espero que, mesmo anônimos, continuem acompanhando o blog, pois não é nada pessoal.

FSPEste é um pedaço de um anúncio que recebi há alguns dias da Folha de São Paulo, que parei de assinar há quase quatro anos. O jornal foi perdendo tanto conteúdo e ficando tão pouco interessante, que achei que já não valia o meu rico dinheirinho. Nem acredito quando, ao telefonar lá para cancelar, me convenceram a continuar. Nada menos que sob o argumento dos benefícios do cartão “Clube Folha”. Ele permite que o assinante receba uns descontos aí, não me lembro bem onde, mas acho que em algumas sessões de cinema ou peças de teatro, restaurante…

Eu nunca tinha usado, mas pensei na hora que era por falta de atenção. O cara me convenceu de que finalmente isso poderia acontecer e então resolvi continuar assinando! E o pior: aconteceu duas vezes, do mesmo jeitinho. Na terceira vez que liguei pra cancelar, não tinha como estar mais convencida. Afinal, continuei a nunca usar o cartão, nenhuma vezinha.

Mas, voltando ao anúncio, ele oferece uma bela sacanagem de presente para o consumidor – no caso, eu. Você lê e, claro, logo se anima a receber o jornal por 20 dias de graça. Cresce o olho na bela vantagem que vai levar.

FSP

Mas experimenta não ler aquela letrinha que colocaram na parte inferior do anúncio, que diz que se, no décimo dia, o sujeito não ligar lá pra cancelar, a assinatura dele será efetivada automaticamente. Ou experimenta, mesmo depois de ler, se esquecer disso. Ou experimenta estar muito ocupado, ou ter que sair de viagem, ou resolver ligar no décimo dia e seu telefone não funcionar (pois você é assinante da Telefônica)… tchan-tchan-tchan-tchan! Ao checar seu extrato bancário, lá estará o débito, no valor de R$ 47,90.

Ao ver aquilo, talvez você ache bem estranho, e nem se lembre da letrinha do anúncio, informando que isso ocorreria. E liga lá pra cancelar, pedir o dinheiro de volta, reclamar, o caralho a quatro. E eles vão dizer: estava no anúncio!

Aí, considerando que você, meu amigo, caiu nesse conto, sabe o que pode dizer? Que uma cláusula contratual abusiva não tem nenhum valor – lembrando que anúncios publicitários são considerados parte do contrato. Isso é garantido pelo Código de Defesa do Consumidor (artigo 51, inciso IV). Se o fornecedor em questão não concordar em devolver o valor, procure o Procon de sua cidade.

Na opinião deste blog, as sacanagens são as seguintes (não sabemos qual das duas é pior):

  • a informação sobre a contratação automática em letras pequenas pode prejudicar sua transmissão ao consumidor (o direito à informação adequada e clara está previsto nos artigos 6º, inciso III, e 31 do CDC);
  • a condição para que o consumidor manifeste seu desinteresse pela assinatura (o contato em até dez dias), e a consequente efetivação automática da mesma, também é abusiva (de acordo com o artigo 39, inciso V, CDC). O fornecedor está “apostando” no esquecimento do consumidor!

Mas é óbvio que o melhor é prevenir toda essa canseira e simplesmente não aderir à promoção. Ou pelo menos ligue lá até o décimo dia pra cancelar! Quer dizer, pode ser que você queira de fato assinar esse jornal que chama a ditadura de “ditabranda”. Aí, então, faça bom proveito. Mas não se esqueça, pelo menos, que a publicidade dessa empresa que você estará contratando não foi nada ética.

P.S. Se você ainda não vê problemas em que a assinatura seja efetivada automaticamente, pense: não seria mais correto que VOCÊ decidisse isso?

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Gente, só dá lixo nesse blog.

Aqui vai o link pra uma matéria que fiz pra Revista do Idec, edição de julho, sobre copos (e outros utensílios) descartáveis. É uma reflexão com informações sobre o impacto desse pequeno artigo – tido como útil para muitas pessoas em dia de festa, porém pouco reciclado e, pior, pouco útil de verdade.

Tem até uma leve tentativa de cálculo: quanto custa substituir os descartáveis pelos duráveis? Claro, custa muito mais para o bolso. Mas nada que leve a pessoa à bancarrota.

É preciso se começar a pensar nos custos para além das cifras.

Vai lá!

Pensando sobre o lixo. Veja mais fotos incríveis como essa em: http://gigapica.geenstijl.nl/2009/05/mooi_milieu.html

Pensando sobre o lixo. Veja mais fotos incríveis como essa em: http://gigapica.geenstijl.nl/2009/05/mooi_milieu.html

As várias faces da reciclagem de resíduos são bem mais complexas do que parecem ser, à primeira vista. O que quero dizer é: não basta você ter quatro cestos coloridos de lixo em casa e mais um para o lixo orgânico. Eles podem até limpar a barra da sua (e da minha) consciência, mas se:

1-os recicláveis não estiverem minimamente limpos;

2-os funcionários do seu condomínio não estiverem informados o bastante, pra não misturar tudo de novo com os não-recicláveis;

3-não houver alguém devido para recolhê-los em sua casa;

4-ou não houver quem os compre dos catadores ou pequenos empresários que os recolhem;

…aquele esforço todo não terá qualquer significado.

Finalmente conversei a respeito da reciclagem das embalagens longa vida (recapitule, clicando aqui e aqui), com um representante da Tetra Pak – o diretor de meio ambiente da empresa, Fernando von Zuben. Segundo ele, os 26,6% de embalagens recicladas (um pouco acima do percentual de 25% citado aqui anteriormente), poderiam chegar a 45%. Esta seria a capacidade das 31 empresas que reciclam esse material no país – 10 são fábricas de papel; duas, de pellets de plástico e alumínio (pequenos grãos que podem virar matéria prima para canetas, vassouras e outros produtos); e 19, de telhas. O problema para se chegar lá é a coleta. Ou seja, não se recolhe material suficiente.

Várias razões podem explicar isso. Talvez a mais importante delas seja o preço. O valor da embalagem Tetra Pak destinada à reciclagem oscila, segundo Von Zuben, na mesma proporção do papelão. Isso porque justamente o papelão da longa vida (que também é constituída por alumínio e plástico) é a parte mais reciclada dela. E o preço do papel despencou no ano passado. Ao ponto de as fábricas preferirem comprar matéria prima virgem. Isso significa que muita gente deixou de coletá-lo.

Outra informação importante passada pelo diretor da Tetra Pak é que a meta da empresa é de que, em 2011, se atinja 40% de reciclagem no Brasil. Ou seja, faltarão 60%, bilhões de embalagens. Acho louvável que a empresa trabalhe para aumentar os índices. Também entendo que seja difícil reciclar esse produto, com várias camadas de materiais diferentes grudados um no outro. Mas também acho importante os fabricantes (de qualquer produto, é óbvio, e não só da embalagem longa vida) pensarem que é melhor produzirem coisas que sejam, em primeiro lugar, duráveis ou retornáveis; em segundo lugar, de fácil reciclagem.

Como questionam os autores de um livro que estou lendo, Cradle to cradle, remaking the way we make things (Do berço ao berço, refazendo a maneira como fazemos as coisas, numa tradução meio tosca, mas literal), William McDonough e Michael Braungart: por que aceitamos tão facilmente que as soluções dadas por empresas e governos sejam apenas “menos ruins”, e não exigimos que elas sejam “boas” de fato? Como consumidores, acredito que temos o papel de exigir soluções reais por parte de nossos fornecedores.

O pior é que, a cada vez que aprendo uma coisa nova, me surge uma nova dúvida.

Uma delas, no momento, é: por que será que a Tetra Pak ainda não contatou a empresa que compra o material reciclável do meu condomínio? Mandei os contatos já há 19 dias. E Fernando von Zuben falou que averiguaria a questão.

Por enquanto, como já falei, vou preferindo outro tipo de embalagem.