Da reciclagem (ou Tetra Pak, parte 3)

06/07/2009

Pensando sobre o lixo. Veja mais fotos incríveis como essa em: http://gigapica.geenstijl.nl/2009/05/mooi_milieu.html

Pensando sobre o lixo. Veja mais fotos incríveis como essa em: http://gigapica.geenstijl.nl/2009/05/mooi_milieu.html

As várias faces da reciclagem de resíduos são bem mais complexas do que parecem ser, à primeira vista. O que quero dizer é: não basta você ter quatro cestos coloridos de lixo em casa e mais um para o lixo orgânico. Eles podem até limpar a barra da sua (e da minha) consciência, mas se:

1-os recicláveis não estiverem minimamente limpos;

2-os funcionários do seu condomínio não estiverem informados o bastante, pra não misturar tudo de novo com os não-recicláveis;

3-não houver alguém devido para recolhê-los em sua casa;

4-ou não houver quem os compre dos catadores ou pequenos empresários que os recolhem;

…aquele esforço todo não terá qualquer significado.

Finalmente conversei a respeito da reciclagem das embalagens longa vida (recapitule, clicando aqui e aqui), com um representante da Tetra Pak – o diretor de meio ambiente da empresa, Fernando von Zuben. Segundo ele, os 26,6% de embalagens recicladas (um pouco acima do percentual de 25% citado aqui anteriormente), poderiam chegar a 45%. Esta seria a capacidade das 31 empresas que reciclam esse material no país – 10 são fábricas de papel; duas, de pellets de plástico e alumínio (pequenos grãos que podem virar matéria prima para canetas, vassouras e outros produtos); e 19, de telhas. O problema para se chegar lá é a coleta. Ou seja, não se recolhe material suficiente.

Várias razões podem explicar isso. Talvez a mais importante delas seja o preço. O valor da embalagem Tetra Pak destinada à reciclagem oscila, segundo Von Zuben, na mesma proporção do papelão. Isso porque justamente o papelão da longa vida (que também é constituída por alumínio e plástico) é a parte mais reciclada dela. E o preço do papel despencou no ano passado. Ao ponto de as fábricas preferirem comprar matéria prima virgem. Isso significa que muita gente deixou de coletá-lo.

Outra informação importante passada pelo diretor da Tetra Pak é que a meta da empresa é de que, em 2011, se atinja 40% de reciclagem no Brasil. Ou seja, faltarão 60%, bilhões de embalagens. Acho louvável que a empresa trabalhe para aumentar os índices. Também entendo que seja difícil reciclar esse produto, com várias camadas de materiais diferentes grudados um no outro. Mas também acho importante os fabricantes (de qualquer produto, é óbvio, e não só da embalagem longa vida) pensarem que é melhor produzirem coisas que sejam, em primeiro lugar, duráveis ou retornáveis; em segundo lugar, de fácil reciclagem.

Como questionam os autores de um livro que estou lendo, Cradle to cradle, remaking the way we make things (Do berço ao berço, refazendo a maneira como fazemos as coisas, numa tradução meio tosca, mas literal), William McDonough e Michael Braungart: por que aceitamos tão facilmente que as soluções dadas por empresas e governos sejam apenas “menos ruins”, e não exigimos que elas sejam “boas” de fato? Como consumidores, acredito que temos o papel de exigir soluções reais por parte de nossos fornecedores.

O pior é que, a cada vez que aprendo uma coisa nova, me surge uma nova dúvida.

Uma delas, no momento, é: por que será que a Tetra Pak ainda não contatou a empresa que compra o material reciclável do meu condomínio? Mandei os contatos já há 19 dias. E Fernando von Zuben falou que averiguaria a questão.

Por enquanto, como já falei, vou preferindo outro tipo de embalagem.

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3 Respostas to “Da reciclagem (ou Tetra Pak, parte 3)”

  1. Ycarim Says:

    Achei a matéria muito interessante e oportuna no momento em que se discute reciclagem. Na realidade, observa-se que para se reciclar precisa-se levar em conta a cadeia produtiva dos resíduos sólidos e os aspecto social, os catadores de lixo…

  2. FABÍOLA VIEIRA RODRIGUES Says:

    E agora, o que faço com as mais de 30 embalagens tetra pak que tenho em casa? Quem recolhe, para onde eu levo? Moro na Asa Norte, Brasília-DF.
    Obrigada.
    Fabíola.

  3. Fabiano Says:

    Para a Fabiola, seria interessante você fazer um jogo de dominó que vi no google, basta pesquisar, e quanto ao texto, muito instrutivo, você aborda uma parte legal que é “a nossa parte está feita agora é problema dos outros”, mas quanto a isso devemos reciclar nossas atitudes e nossos abtos de consumo, e aprendermos que o “R” de reciclagem vem em ultimo lugar no conseito dos três “R”s , onde deveriamos dar mais importância para o “R” de Reduzir e o “R” de reuzar, um abraço a todos e visitem meu blog “http://reciklartebrasil.blogspot.com”


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