Da próxima vez, peça uma escova, e não uma pizza!

Da próxima vez, peça uma escova, e não uma pizza!

“No dia 4 de setembro, após a missa de 7º dia do falecimento do meu irmão, eu, meu marido, meu filho e a namorada, fomos à pizzaria Originale (em Goiânia) – não conhecia ainda. Escolhemos um bom vinho e pedimos uma pizza grande, massa fina, dois sabores.

Ao colocarem os pratos com os talheres sobre a mesa, fui premiada com um prato branquinho, uma faca aparentemente limpa e um garfo com cobertura de chocolate. Um garfo com cobertura de chocolate sobre um prato branquinho só um cego não veria. Mas, em tempo, levantei o garfo para o garçom, que providenciou outro, ‘aparentemente limpo’.

Terminamos o vinho, terminamos a pizza, mas não terminamos nossa fome – outra pizza, por favor. Grande, pois a massa muito fina não deu sustância. Mas era melhor que continuasse sendo fina, já que era a segunda remessa, afinal temos que manter a forma.

Na metade da primeira fatia da segunda pizza, notei um trincado, de um lado a outro, no prato do meu marido. Olhei distraidamente, achei estranho, mas não interrompi o nosso assunto interessante por causa disso. Ao vê-lo cortar um pedaço da pizza no prato, notei que o trincado se mexeu… epa! Levantei aquele longo fio preto que, infelizmente, não pertencia a nenhum de nós quatro, pois só tinha uma pessoa de cabelos longos à mesa – loiríssima.

Chamamos o garçom, mostramos-lhe o fio de cabelo, naquele momento sobre o pedaço de pizza não comido. Ele imediatamente recolheu os pratos e a pizza grande da qual tínhamos retirado apenas seis fatias e um fio de cabelo preto. Pedimos a conta. E ela veio: vinho, água, DUAS pizzas grandes (não cobraram o fio de cabelo). E acrescentaram: na cozinha todos usam touca.”

Esse relato é da minha querida mãe. E esse problema é chamado “vício do produto”, de acordo com o artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor (CDC). O vício, segundo a lei, torna os produtos duráveis ou não-duráveis “impróprios ou inadequados ao consumo”.

É bem compreensível que minha mãe não estivesse no espírito para reivindicar seus direitos – ou seja, para não pagar a pizza “viciada” (ah, se eu estivesse lá…). Mas, pelo jeito, ela não guardou a nota fiscal, então não vai dar pra pedir o dinheiro de volta. Só pra isso voltaríamos à Originale, não tenho dúvida!

Pior do que o cabelo na pizza foi sua falta de respeito com o consumidor, ao não assumir sua responsabilidade. E, ainda pior, ao dar descrédito às alegações dele. Pois ao dizer que todos na cozinha usavam touca, estavam querendo dizer que era impossível que o cabelo fosse de funcionários da pizzaria. Ou seja, estavam dizendo que o cabelo só poderia ser do consumidor! (Porque, se fosse de outro cliente ou do frentista, ainda assim seria responsabilidade do estabelecimento).

Em tempo: em casos como esse, se tiver interesse em exigir seu dinheiro de volta, é importante que o consumidor o faça em até 30 dias. É o prazo estabelecido pelo artigo 26 do CDC, quando o produto em questão é não durável. Para os duráveis, o prazo é de 90 dias.

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Dia Mundial sem CarroSabe por que as filas de carros só crescem nas cidades? Além do mau transporte público e da noção de status que os automóveis parecem dar a seus donos, todo mundo sabe que virou política de governo incentivar a compra de carros novos, com a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) barateando o bem (saiba mais clicando aqui, aqui e aqui). É óbvio que, assim, eles se multiplicaram exponencialmente nas ruas das nossas cidades – aliás, mantendo a toada dos últimos anos. Não havia outro jeito de manter a economia aquecida, não? Aposto que sim.

Outro motivo é que um veículo ocupa mesmo muito espaço! Veja esses números, divulgados pela ABCiclovias, associação de ciclistas em Blumenau (SC). Eles correspondem ao espaço ocupado por uma pessoa, enquanto se locomove:

  • No metrô: 1 m2
  • Como pedestre: 2 m2
  • Num ônibus com 35 passageiros: 3 m2
  • De bicicleta: 6 m2
  • De carro, ocupado só pelo motorista: 60 m2

Claro que não é só pelo espaço ocupado que devemos usar menos o automóvel particular. A poluição emitida pelos veículos é um problema bem mais sério, pois ela prejudica a saúde das pessoas e contribui fortemente para o aquecimento global. E não adianta falar que seu carro é a álcool, pois isso não resolve o problema! Pode apenas ser menos ruim, já que dizem que, quando a cana de açúcar cresce no campo, ela absorve o dióxido de carbono emitido no uso do veículo.

Lembrando que os problemas causados pelo dióxido de carbono (CO2) dizem respeito ao efeito estufa e às mudanças climáticas — ou seja, ao meio ambiente. Já outros tipos de contaminantes emitidos por qualquer carro (estes não são “compensados” pelo cultivo da cana) fazem mal é à nossa saúde. Os principais são o monóxido de carbono (CO), que afeta a absorção de oxigênio pelo nosso organismo; o dióxido de enxofre (SO2) e os óxidos de nitrogênio (NOx), que agridem as mucosas e afetam a respiração; e os hidrocarbonetos (HC), substâncias com potencial cancerígeno.

Caso tenha interesse, leia este outro post sobre o Dia Mundial sem Carro, que é hoje!

Vaga viva

18/09/2009

Lá atrás, o pessoal monta "andomóveis", que circularão pela cidade para demonstrar o grande espaço ocupado pelo automóvel

Lá atrás, o pessoal monta "andomóveis", que circularão pela cidade para demonstrar o grande espaço ocupado pelos automóveis

Dentro da programação do Dia Mundial sem Carro, algumas organizações (entre elas o Idec, a Transporte Ativo e o Nossa São Paulo) promoveram hoje em São Paulo, em plena região da avenida Paulista, a “vaga viva”. A proposta é fazer outro uso do espaço urbano normalmente ocupado por carros, dando-lhe um fim mais lúdico, prazeroso e bonito.

Como se fosse num parque!

Como se fosse num parque!

O pessoal que transita por ali, seja à pé ou de carro, fica bem curioso!

O pessoal que transita por ali, seja à pé ou de carro, fica bem curioso

Cicloativista usa camiseta em homenagem à ciclista morta no início do ano, atingida por um ônibus na Paulista

Cicloativista usa camiseta em homenagem à ciclista morta no início do ano, atingida por um ônibus na Paulista

No Rio de Janeiro, rolou uma “vaga viva” na região central da cidade, no último dia 15, de acordo com essa matéria do Globo.

No blog da ONG Transporte Ativo, há vários textos sobre o tema, para quem quiser saber mais.

Muitas paradas aqui em São Paulo são assim, praticamente um toco na calçada

Muitas paradas aqui em São Paulo são assim, praticamente um toco na calçada


Preciso fazer uma errata. Neste post aqui, falei “estou pra ver algum ponto nesta cidade com informação sobre QUAL coletivo para ali”. Porém, fui lembrada pelos fatos que eles existem, sim (hoje peguei um ônibus numa parada que exibia o dado). De qualquer maneira, nas regiões onde eu circulo, eles são, sem dúvida, uma ínfima minoria.

Pedi à assessoria de imprensa da SPTrans (São Paulo Transporte S.A.) as seguintes informações, entre outras:

*Quantos pontos em São Paulo exibem a informação sobre os ônibus que param ali?
*Por que não são todos os pontos que o fazem?

E, para complementar o post anterior: também é possível descobrir como chegar a seu destino de ônibus pelo número da SPTrans, 156. Usei uma vez e, pelo que me lembre, foi útil.

Consumidor exigente

15/09/2009

Gente, sei que esse anúncio e a brincadeira abaixo são super velhas (de 2007), mas são muito bons. Da série “recordar é rir de novo”!

Dia sem Carro

Atenção, atenção! Daqui a praticamente uma semana, ocorre o Dia Mundial sem Carro: 22 de setembro, uma terça-feira. Quem quiser apoiar a data, pode começar deixando seu querido veículo na garagem e indo à pé, de bicicleta, ônibus, trem, skate, patins, camelo… o que for. O importante é repensarmos nossa locomoção e fazermos a pergunta: o carro, por acaso, vale a pena?

Admito que, muitas vezes, responderemos sim. Durante vários anos, só andei de ônibus ou metrô em São Paulo. O metrô é uma maravilha, desde que não seja horário de pico e a linha chegue aonde você precisa. Esse segundo fator já reduz muito suas possibilidades, a não ser que você esteja em Nova York, Londres ou Paris.

Com relação ao ônibus, está aí um transporte que precisa melhorar um milhão de vezes. Só por falta de opção ou por estar muito convencido a contribuir para a melhor qualidade de vida na cidade, o cidadão optará por viajar nesses veículos velhos e barulhentos, não raro conduzidos por senhores um tanto quanto rudes – sem dúvida, mal pagos e mal treinados. Já vi uma senhora de idade cair no ônibus por causa disso! Um perigo.

Mas, pra começar, poderíamos exigir mudanças bem fáceis. Estou pra ver algum ponto nesta cidade com informação sobre QUAL coletivo para ali, e mais ainda EM QUE HORÁRIO – estimado, que seja, já que ele está sujeito aos humores do tráfego intenso. São informações um tanto quanto essenciais! Ou não?

Talvez todo esse “mistério” seja um incentivo do poder público e das concessionárias para que as pessoas, esses seres tão misantropos, se socializem mais, conversem umas com as outras, e descubram nesse ínterim como chegar a seu destino. Vai que você arruma até um namorado! Outra opção é consultar a internet, pois algumas boas almas (do Google, pra variar) fizeram o belo trabalho de explicar todas as opções disponíveis pra, um dia, você chegar lá. Mas sabe quanta gente tem acesso à internet, assim, tão fácil? Bem poucas. Segundo o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic), somente 18% dos domicílios brasileiros tem acesso à rede.

E nada disso será resolvido se não pararmos para refletir e exigir mudanças. É a isso que o Dia Mundial sem Carro se propõe, no caso da mobilidade urbana.

Há alguns meses trabalho em casa, e muito raramente pego qualquer tipo de trânsito. Com isso, minha vida com certeza é melhor que a de muita gente, mas eu ainda me incomodo bastante com os problemas de tráfego. Minha rua, nos últimos anos, virou um verdadeiro inferno, principalmente a partir das 18 horas. Todos os dias, nesse horário, há filas imensas de carros parados. Para piorar, não bastasse a poluição atmosférica e sonora “básica” de um carro ligado, os motoristas, sempre estressados (não é para menos), passam seu tempo ali buzinando! E eu aqui, tentando trabalhar. Xingando muito todos eles, hei de confessar, pois só pareço zen!

Quer mais informações sobre o Dia sem Carro? Vai lá: