O Ibi, o SPC e eu

18/12/2009

Era uma vez… há muitos e muitos anos furtaram minha bolsa. Em pleno supermercado Sonda, na Francisco Matarazzo.

Tá, não faz tantos anos assim, foi em janeiro de 2006. Mas como o tempo é o que há de mais relativo nesse mundo, sinto que é como se fizesse.

Eu almoçava com meu querido chefe de então na área de alimentação do supermercado. As mesas eram daquelas em que um ferro emenda tudo, mesa e cadeiras, sabe? Coloquei minha bolsa no ferro, muito do meu lado, praticamente encostando em mim. Meu chefe se sentou a minha frente. Eis que, lá pelas tantas, me viro pra pegar alguma coisa. E a bolsa não estava mais lá!

Foi muito chato, é claro. Primeiro fiquei incrédula, olhei embaixo da mesa de tudo que é jeito, tentei manter a calma, mas não deu. Chorei! Demos uma volta no estacionamento e rodamos o quarteirão do supermercado de carro (pois chovia) – quem sabe o fdp não tinha jogado a bolsa por ali, depois de pegar o que havia de valor? Pra pelo menos evitar a canseira de fazer novos documentos e tal. Mas acho que o esforço era só pra nos dar a sensação de ter tentado fazer alguma coisa.

Depois tive que fazer os trâmites de cancelar celular, cartão de crédito, talão de cheques e fazer um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima. O B.O., no caso, provavelmente foi a coisa mais importante que eu fiz, orientada pelo pessoal do Idec, que era onde eu trabalhava na época.

Isso por causa do que viria depois, que é sem dúvida a maior dor de cabeça de todas: cobranças de financeiras e nome sujo nos órgãos de “proteção ao crédito”. E a mim, quem vai proteger?

O que aconteceu, presumivelmente, é que andaram usando meu RG (único documento que havia na bolsa) pra obter empréstimos e fazer compras com cartões dessas empresas que se multiplicaram no país. Fizeram dívidas de mais de mil reais!

Primeiro, foi a C&A. Depois, o Panamericano. Houve até alguma empresa cuja sede era em Recife, não me lembro qual. Só me lembro do detalhe de Recife porque queriam que eu mandasse um fax pra lá, com cópia dos meus documentos e coisas do gênero. Me recusei: a culpa por esse rolo é de vocês; por que eu haveria de fazer um interurbano e mandar cópia dos meus documentos?!

E digo que a culpa é dessas empresas de meia tigela porque são elas as permissivas ao dar crédito a pessoas inidôneas que simplesmente apresentam um ou dois documentos pra “comprovar” que não darão o cano. E por que será que essas financeiras são tão “facinhas”? Será porque elas nadam há anos nos lucros advindos dos juros altos e do estímulo para que as pessoas se endividem? Será porque esses mil reais devidos em meu nome aqui e ali já estão na contabilidade delas, e portanto não farão a menor falta?

Só sei que, até hoje, essa história não terminou. Às vésperas do furto da minha bolsa completar seu quarto aniversário.

Tive um entrevero ao alugar meu apê em São Paulo, precisei colocar minha conta de celular no nome do meu namorado, não posso dar cheque, e por aí vai. Isso tudo porque a financeira Ibi mandou meu nome pro SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e nunca mais tirou. Está lá desde abril de 2006. Aliás, o Ibi é da C&A, e confesso que talvez esse seja o registro que primeiro chegou ao meu conhecimento e que pensei, à época, haver resolvido.

Há exatamente um ano Em outubro do ano passado, tentei uma comunicação via email com o Ibi. Tudo o que eu queria era o endereço para o qual mandar uma carta com aviso de recebimento. Me informaram, enviei a correspondência e, contudo, ela retornou, um tempão depois. Tentei novamente, por email, obter um endereço correto, mas nunca obtive resposta.

Aí, sabe como é, o tempo vai passando e a gente vai deixando algumas coisas de lado. Me esqueci dessa história. Naquelas. Toda vez que ia passar um cheque, me lembrava.

E como final de ano é época de colocar algumas coisas em dia, resolvi novamente tentar resolver isso. Dessa vez, me disseram o endereço por telefone mesmo. Vou mandar exatamente a mesma carta do ano passado, com a mesma frase do final: “em 15 dias a partir da data desta correspondência, meu nome deve estar fora do SPC. Caso isso não ocorra, recorrerei aos meios administrativos e judiciais cabíveis”. E tenho dito, caramba!

Em todos os casos, foi necessário enviar junto com a carta uma cópia do B.O., para comprovar o furto. Daí sua importância.

Obs: E o SPC (diferente do que obriga o artigo 43, parágrafo segundo do Código de Defesa do Consumidor) nunca me avisou que meu nome havia ido parar em suas listas. Eu bem que poderia entrar na Justiça por danos morais.

Anúncios

2 Respostas to “O Ibi, o SPC e eu”

  1. Camilinha Says:

    Tive um problema desse tipo na Renner, olha aqui: http://naosabo.blogspot.com/2005/11/fuja-da-renner.html

    Já fui indenizada pela Taií e pela Fininvest, e o processo contra a Renner está em fase de recurso, vai demorar um bom tempo…

    Mas se vc ler os comentários nesse link vai ver várias outras histórias…

    Bjo!

  2. nosconsumimos Says:

    Oi, Camilinha, exemplos como esse não faltam, hein! Acho que vou fazer um post sobre como entrar com processo. Vai que eu me animo?


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: