Em Goiânia a coleta seletiva ainda está engatinhando. Depois de algumas tentativas do recolhimento de porta em porta, no início de novembro de 2009 ele foi retomado. Na minha rua o caminhão passa toda semana, com sua musiquinha que já dá pra ouvir de longe. Na rua da moça que trabalha na casa da minha mãe, também. O filhinho dela sai correndo pra entregar os recicláveis pro lixeiro seletivo. Só as crianças podem salvar o mundo mesmo!

No meu prédio, ainda gostaria de propor uma espécie de campanha pras pessoas participarem. Ainda não notei nenhum movimento espontâneo, e no começo nem o porteiro entendia do que eu estava falando quando perguntava se o caminhão já havia passado.

É preciso dizer que, quando a prefeitura atingir seu objetivo, estará recolhendo 60 toneladas de material reciclável ao mês. Isso corresponde, segundo os cálculos do Washington Novaes na coluna da semana passada no Popular,  a menos de 0,0015% da enorme quantidade de lixo gerada na cidade!

Embora seja necessário fazer mais – como capacitar outras cooperativas para receber o material, realizar campanhas mais fortes para que geremos menos lixo e separemos os recicláveis, coletar maior quantidade deles – não podemos deixar de dizer: antes tarde do que nunca. Antes alguma coisa do que nada.

E um dos maiores problemas que o lixo representa, seja reciclável ou não, é o grande espaço que ele ocupa. Por isso, é bem válido darmos uma compactada prévia nos nossos recicláveis antes de entregá-los ao caminhão da Comurg (Companhia de Urbanização de Goiânia), aos catadores, aos PEVs (pontos de entrega voluntária), ao Pão de Açúcar… onde for.

Como no passo-a-passo abaixo!

1-Caixinha de tetrapak
É, depois de alguns meses dando um tempo, eu voltei a consumi-las (clique aqui) – embora não curta muito a mistura dos materiais. Aparentemente não está havendo problemas para destiná-la a um comprador no momento (é, a cooperativa precisa ter a quem vender os recicláveis). Algo a ser sempre rechecado.

Amasse a embalagem e dobre a parte inferior.

Do lado oposto à parte já dobrada, dobre as laterais.

Do mesmo lado da parte inferior dobrada, dobre a parte superior...

...e prenda-a na parte inferior!

Veja que belezinha e...

... compare com a embalagem original. Foi um primo querido que me ensinou.

É fácil imaginar quanto espaço será economizado na lixeira, no caminhão (que poderá, em menos viagens, levar mais recicláveis), na cooperativa, e por aí vai.

2-Garrafa plástica

Antes...

... e depois!

É legal colocar a tampinha pra garantir que a garrafa não vai "desinflar".

3-Papéis em geral (saco de pão em particular)

Essa é a forma de NÃO fazer. Pra fazer um teste, basta pegar umas 10 bolinhas dessas pra ver o espação que ocupam.

Assim, sim!

Tudo tem que estar, minha gente, LIMPO. Ninguém quer trabalhar com um negócio que emita cheiros desagradáveis, né? Se pra você é chato, imagine praquela pessoa que nem tem nada a ver com aquilo?!

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*suspiro*

O AR (aviso de recebimento) da carta que eu havia mandado pro Ibi só chegou pra mim hoje. Lembrando que o AR serve para comprovar que você enviou uma correspondência àquele destinatário e que o dito cujo a recebeu. Isso porque, quando a carta chega, a pessoa que a recebe tem que assinar o AR. Que volta pra você e serve como prova do contato, caso seja preciso recorrer ao Procon ou à Justiça.

Mas há vários dias, mais especificamente no quinto dia do ano, a ouvidoria do Ibi já tinha me ligado, pois tinha recebido meu email informando sobre a carta. O funcionário me pediu que enviasse, por fax ou email, nada menos que:
-uma cópia do CPF;
-uma cópia do RG;
-uma cópia do boletim de ocorrência do furto;
-uma carta de contestação de próprio punho, assinada três vezes, dizendo que nunca fui cliente do Ibi nem tive qualquer cartão da empresa;
-um comprovante de endereço de fevereiro de 2006 (época em que foi contraída a dívida que não é minha).

Mesmo assim, eu respondi que ok, pretendia mandar tudo naquela terça-feira mesmo.

Quando cheguei em casa e ia começar a ver isso, me ocorreu: por que é que eu, que não tenho nada a ver com a causa desse problema que a Ibi resolveu pôr na minha vida, tenho que me dar a esse trabalho? Mas o mais grave é: por que é que eu teria algum motivo para confiar nessa empresa? Por que é que eu confiaria que essa empresa não pegará meus documentos e não me causará mais problemas? Não tenho nenhuma razão pra isso!

Mandei um email explicando a situação, e anexei uma cópia do B.O.. Já o tinha enviado com a carta, mas aparentemente a ouvidoria não teve acesso a ela.

O mesmo funcionário me ligou alguns dias depois, repetindo roboticamente que eu precisaria enviar “uma cópia do CPF, uma cópia do RG, uma carta…”. Pára* tudo, não precisa ficar repetindo. Perguntei se haveria outra forma de resolver a pendenga, pois eu não estava disposta a confiar todos esses documentos e dados meus ao Ibi. Ele falou que não. E eu respondi que, nesse caso, resolveríamos o problema na Justiça.

É nisso que estou nos últimos dias. Já escrevi meu relato, que não precisa ser em forma de ação judicial quando se recorre ao Juizado Especial Cível (JEC, antigo Pequenas Causas) e a causa é de até 20 salários mínimos. Aliás, o consumidor não precisa nem mesmo escrever, basta com que conte a história para o funcionário da secretaria do JEC. Para causas com esse limite de valor, não é necessário advogado.

Agora preciso obter um documento do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e do Serasa, que registre a negativação do meu CPF, para anexar à ação. Também devo anexar o B.O..

Outro absurdo nessa história toda é que, mesmo embora eu esteja contestando a existência da dívida, o Ibi não retirou meu nome do Serasa.

*Abaixo a reforma ortográfica!

Não quero ficar aqui só falando mal, mas tem hora que não dá. Uma coluna social do jornal local O Popular traz uma nota hoje exaltando as maravilhas do Buffet Fasano, que fez sua primeira festa em Brasília no final de ano e blábláblá. Sobre os seletos convidados que se dispõem a gastar seus míseros R$ 650 para tentar se divertir, recorro ao filósofo, que diria: “cada um com seus pobrema”.

Mas veja essa informação: “além da comida, todo o serviço – garçons inclusive – vem de São Paulo”. Chique, hein! Só acho que uma parcela dos R$ 650/cabeça deveria ser destinada a fins ambientais, para dizer o mínimo. Não que eu acredite em “mitigação” de danos.

É, a mentalidade colonial continua entranhada no sangue dessa gente. Puro lixo.

Parece coisa do Brasil colônia, mas não é.

Embora todo mundo já deva ter ouvido falar, não custa repetir que a dona das marcas de açúcar União e Da Barra, a Cosan, foi flagrada em 2007 explorando a mão de obra de trabalhadores em uma usina no interior de São Paulo. Esgotados todos os seus recursos, entrou pra lista suja do trabalho escravo no finzinho de 2009.

Na semana passada, a empresa obteve uma liminar de um juiz federal bem bacana (com ela mesma) chamado Raul Gualberto Fernandes Kasper de Amorim. Mas Leonardo Sakamoto, da ONG Repórter Brasil, acredita que o Ministério do Trabalho e a Advocacia Geral da União, como em anos anteriores, devem atuar para que ela volte a figurar no cadastro. Leia mais clicando aqui, aqui e aqui.

É de dar risada o argumento da Cosan, no mandado de segurança: é que as acusações tratam apenas de uma prestadora de serviços, gente!

Nós, consumidores de açúcar, podemos fazer a nossa parte, que seja simbólica. Podemos, por exemplo, comprar o produto de outras marcas. Podemos até aproveitar a oportunidade para consumir menos açúcar! É uma medida bem saudável, a não ser que consumamos o mascavo – que, aliás, é uma boa alternativa. Não o recomendo para sucos e cafés, pois aí o gosto dele acaba predominando sobre o da bebida. Mas o mascavo cai muito bem para o leite, bolos, iogurte, coalhada… Principalmente se for orgânico, claro.

Agora que, com a liminar, até o Wal Mart voltou atrás no compromisso solitário de suspender as compras da Cosan, nem adianta muito falarmos do plano B, que seria questionar o supermercado de nossa preferência sobre como ele pretendia agir diante desse fornecedor. Fica pra próxima!