Uma hora eu acerto!

Como já mencionado em textos anteriores (como este ou este), JEC é a sigla do Juizado Especial Cível – antigo Juizado de Pequenas Causas.

Eu, como defensora de meia tigela dos direitos do consumidor, nunca tinha ido ao JEC. Nunca fui nem mesmo ao Procon! Meus problemas de consumo se empilham na minha estante, nas minhas gavetas, na minha agenda… e por fim o prazo para reclamar sobre eles se expira. De acordo com o CDC (Código de Defesa do Consumidor), temos 30 dias para exigir a solução de defeitos ou que tais quando se trata de produtos ou serviços não duráveis (exemplos: um saco de arroz ou a lavagem de um vestido); e 90 dias no caso de produtos ou serviços duráveis (exemplos: uma luminária ou o conserto do carro). O prazo é contado a partir da compra ou conclusão do serviço. Em caso de vício oculto, é a partir da sua constatatação (artigo 26 do CDC).

Pois hoje quis começar a reparar essa falha no meu currículo, como diria meu pai. O Procon-GO já havia me informado que existe um JEC mais ou menos próximo a onde eu moro. A vinte minutos caminhando ou cinco minutos de carro (mais cinco minutos pra encontrar um bendito lugar pra estacioná-lo, nesta cidade completamente tomada por veículos). Fui de carro porque de lá teria que passar em outros lugares, entre os quais uma floricultura para comprar 10 quilos de húmus de minhoca pra horta da minha mãe. Não, não dava pra ir de ônibus.

Enfim, cheguei ao JEC – pra resolver aquelas pendências de nome sujo nos cadastros de proteção ao crédito, lembra? Mas, em algum lugar lá no fundo, algo me dizia que, como sempre, por um azar ou pela dificuldade de se acessar os serviços públicos neste país, minha missão não seria cumprida.

A primeira coisa que noto quando caminho pela calçada, me aproximando do prédio, é uma mulher que sai carregando uma caixa pesada. A segunda coisa: um recado grudado na porta de entrada – “estamos de mudança”. Fom-fom, me buzinaria o Chacrinha! “Agora, só a partir do dia 21”, me avisou o guarda, “lá no novo endereço”.

Mas então pensei com os meus botões: já saí de casa com toda a papelada, por que não procurar outra unidade do JEC? Perguntei onde ficava exatamente o da Praça Universitária, do qual já tinha ouvido falar. “Dentro da Faculdade de Direito da UFG (Universidade Federal de Goiás)”. E lá vou eu.

Ao chegar, pergunto no balcão o que devo fazer para entrar com uma ação. Uma mocinha com pinta de estagiária, bem solícita, de cara me pergunta: “em que bairro você mora?”. Entendi! Eu só posso ir naquele que está perto da minha casa. Me parece um pouco injusto, pois logo hoje que eu pude fazer isso, “meu” Juizado não estava funcionando. Mas acho que não há muito o que fazer.

Além de mim, aparentemente a mocinha do primeiro Juizado também ignorava que eu só posso recorrer ao JEC mais próximo da minha casa (ou então ela estava curtindo com a minha cara, ao me dar o endereço sem explicar esse detalhe). Assim, aqui vai o link do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), indicado pela funcionária do segundo JEC. Nele, é possível ver o endereço dos Juizados da cidade e mais abaixo os bairros que cada um atende.

Também é possível se informar pelo telefone do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), 62-3213-1581. Mas eu não recomendo! Levou quase cinco minutos até a atendente encontrar o endereço para me passar.

E aqui vai outra informação muito útil, pra evitar perder a viagem. É a lista de documentos necessários para o cidadão “ingressar com ação” nos juizados:

  • Fotocópias da carteira de identidade e do CPF (não é necessário autenticação, desde que os originais sejam apresentados para conferência);
  • Comprovante de endereço original (talão de água, luz ou telefone) em nome do requerente (nessa eu mifu, pois não tenho nenhuma delas em meu nome);
  • Todos* os documentos que comprovam os fatos alegados pelo requerente (orçamentos, recibos, contratos, fotografias etc) e
  • Nome e endereço do requerido.

*No Direito, para que a parte possa “ganhar a causa”, é necessário convencer o juiz de que as alegações apresentadas são verdadeiras. Só se convence um juiz através de provas (documentos, testemunhas etc).

Tudo isso está em um papelzinho que a moça do JEC da Praça Universitária me entregou.

Certo, mano?

Só lá encontramos essas e outras delícias do sabor e do humor feirístico.

Tchau, Terra Madre!

25/03/2010


Mel nativo de abelha Jandaíra, obtido no RN pelos Jovens Agroecologistas Amigos do Cabeço (Joca)

Hoje saiu no caderno Magazine do jornal Popular (daqui de Goiânia) uma pequena matéria que escrevi, com um balanço do II Terra Madre Brasil.

Aí vai:

Ética e prazer na alimentação

Alimentos locais e orgânicos, além de produtores remunerados adequadamente, reúnem adeptos do Slow Food em Brasília (DF)

Elisa Almeida França

Especial para O POPULAR (de Brasília)

Em uma segunda edição mais madura e produtiva que a primeira, o Terra Madre Brasil reuniu mais de 500 pessoas no último fim de semana, em Brasília. O objetivo foi promover a articulação entre os membros da rede de mesmo nome, formada por pequenos produtores agrícolas, chefes de cozinha e acadêmicos, além de associados ao movimento Slow Food, que promoveu o evento. Os temas discutidos iam desde a educação alimentar, passando pelo consumo consciente e o estabelecimento de formas de comercialização de alimentos.

Entre os goianos, o encontro recebeu representantes dos descendentes de quilombolas que produzem a marmelada de Santa Luzia, em Luziânia; produtores da castanha de baru, de Pirenópolis; agricultores orgânicos do município de Padre Bernardo; e professores e estudantes do curso tecnológico de gastronomia da Universidade Estadual de Goiás (UEG). “Houve um aumento na participação de representantes do Centro-Oeste, agora precisamos dar continuidade a essa rede”, afirma Kátia Karam, professora de antropologia da alimentação na UEG e líder do convívio do Slow Food (veja quadro) em Pirenópolis – cidade goiana com o maior número de participantes. “Também houve entrosamento maior e, consequentemente, um melhor aproveitamento do encontro”, completa.

Sob o mote do alimento “bom, limpo e justo” e a égide da ecogastronomia (veja quadro), agricultores e extrativistas de regiões tão distintas e distantes quanto a localidade de Cabeço, no Rio Grande do Norte, e Palhoça, em Santa Catarina, ofereceram a degustação do mel da abelha nativa Jandaíra, da bijajica (um tipo de cuzcuz) e do licuri (um pequeno coco encontrado na Bahia), durante a Feira da Identidade Alimentar, que fazia parte da programação. Representando Goiás, esteve presente a já famosa castanha de baru, que é uma “fortaleza” da Fundação Slow Food para a Biodiversidade – projeto que auxilia produtores a preservar seu trabalho.

O evento foi o primeiro contato de William Rocha, chefe de cozinha da Pousada dos Pireneus, em Pirenópolis, com a rede Terra Madre. “Muitas vezes a gente quer trabalhar com produtos do Cerrado e não tem acesso, não sabe onde comprar”, diz. Por isso, conhecer a Central do Cerrado, organização que funciona como ponte entre produtores comunitários e fornecedores que participou do encontro, já lhe valeu a viagem até a capital federal.

Planeta
Carlo Petrini, jornalista que fundou o Slow Food, há 20 anos, participou do encerramento do Terra Madre, na tarde da segunda-feira. Segundo ele, nos últimos seis anos a rede Terra Madre, atuante em 158 países, se desenvolveu muito. “Lentamente, mas adiante”, define.

Para o italiano, a produção industrial de alimentos é a maior responsável pela destruição do planeta. “Os carros também são responsáveis, mas o sistema alimentar é mais”, afirma. Por isso, Carlo Petrini defende a pequena produção tradicional e diversificada, embora reconheça a dificuldade da proposta. “A força da publicidade é enorme, e as crianças passam horas em frente à TV. Temos um grande trabalho pela frente”.

Outra ideia cara aos preceitos do Slow Food é o papel desempenhado pelo consumidor. “O consumo é a última parte do processo produtivo”, afirma Petrini. Não é uma prática à parte. Afinal, com seu poder de escolha é o consumidor que patrocina este ou aquele tipo de produção. “Àqueles que dizem que o Slow Food é elitista e que os alimentos orgânicos são caros, digam-lhe que, na realidade, o alimento industrial é que é o mais caro”, diz. “Ele destrói o solo, consome muito dióxido de carbono no transporte, acaba com o lençol freático e, o mais importante, é danoso à saúde”.

No encerramento, também participaram o presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Sérgio Mamberti; o secretário de Desenvolvimento Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Humberto Oliveira; o representante do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), Willem Bettink; entre outros. Ao final, uma apresentação musical, com o Coral Guarani Tenode Porã (São Paulo) e o grupo de forró da Fortaleza do Umbu (Bahia), fechou o encontro com chave de ouro.

Balanço
Entre os resultados concretos do 2º Terra Madre, projetos nascidos nos corredores ou dentro da própria programação, e a proposta de criação de uma certificação socioparticipativa, que seria levada adiante pelos próprios produtores. Isso porque as certificadoras cobram caro pelo serviço, muitas vezes impondo regras estranhas à realidade dos agricultores. Também foram organizadas reuniões entre as diferentes categorias de participantes, assim como encontros regionais.

“Com esse evento, a gente conseguiu fortalecer muito o movimento e possibilitar o intercâmbio de informações”, afirma Lia Poggio, coordenadora do Slow Food para a América Latina. Segundo ela, o apoio do Ministério da Cultura, dado ao Terra Madre pela primeira vez, foi fundamental. “O Slow Food é um movimento gastronômico e político, mas sobretudo cultural”. O movimento está presente, hoje, em 192 países.

Mais informações:
Livro:
Slow Food – Princípios da Nova Gastronomia, de Carlo Petrini, editora Senac
Site do Terra Madre Brasil: www.terramadre.slowfoodbrasil.com
Site do Slow Food Brasil: www.slowfoodbrasil.com
Blog Nós Consumimos: www.nosconsumimos.wordpress.com

Conceitos do Slow Food:

Bom: Relacionado ao sabor e ao aroma do alimento, frutos de boas matérias-primas e métodos de produção.

Limpo: Com respeito ao meio ambiente, a partir de práticas sustentáveis de produção do alimento.

Justo: Diz respeito às condições de trabalho e à remuneração do pequeno produtor.

Ecogastronomia: Ética e prazer na alimentação, com respeito ao agricultor tradicional e com o uso sustentável da biodiversidade.

Convívio: Grupo local do movimento, que promove encontros para desfrutar e colocar em prática os produtos e as ideias do Slow Food.

Produtores de Pirenópolis que participaram do encontro

Para acessar os posts anteriores sobre o II Terra Madre Brasil, clique aqui, aqui, aqui e aqui!

Assim que saí da sala do consumo consciente, lá estava Carlo Petrini, fundador do Slow

Gente, ontem foi um dia muito legal, mas nem consegui postar no blog.

Na mesa sobre “a formação do consumidor consciente”, havia várias pessoas interessantes, com projetos bacaníssimos, todas apaixonadas pelo que fazem. Aliás, essa paixão de todos dá uma energia incrível ao Terra Madre.

A Neide Rigo, nutricionista e dona do imperdível blog Come-se, que é em parte um trabalho de busca de alimentos e receitas esquecidas, diz que tem “a pretensão de fazer um inventário sobre o que temos para comer”, de preferência ao nosso redor (clique aqui). Ela disse várias outras coisas que vale a pena pôr na bagagem, mas destaco esta: nas compras no supermercado, “quanto menos embalagem você levar pra casa, provavelmente sua alimentação será mais saudável”. Embalagem significa produto industrializado, é claro.

Comprar tomates na bandeja de isopor é pior ainda – pode ser mais saudável que um pacote de bolacha, mas não faz nenhum sentido. (Essa parte é minha, mas bem poderia ser dela)

Além da Neide, falaram outras quatro pessoas. Entre elas, destaco a Joice, com um projeto incrível de educação alimentar em Batatais (SP), que inclui hortas cuidadas pelas crianças e merenda somente com frutas da época.

o Jackson, de um projeto grande de agricultura familiar orgânica chamado Agência Mandala (clique aqui), que, além de trabalhar com a capacitação de assentados da reforma agrária, faz campanhas de conscientização para “também educar a cidade”. O dono do restaurante, por exemplo, pode comprar no Ceasa direto do produtor. O atravessador cobra bem menos pelo produto, mas também pagou pouquíssimo ao produtor. Ao pagar um preço mais justo a quem trabalhou, contribui-se para a manutenção da produção.

Fora isso, houve encontros das regiões e eu me juntei à turma do Centro-Oeste, onde as pessoas puderam se conhecer, trocar ideias, pensar em problemas comuns e soluções que já tenham encontrado, e por aí foi. Com uma contribuição riquíssima da médica Clara Brandão, criadora da multimistura, dando várias dicas de aproveitamento dos alimentos da terra, de forma inclusive a deixá-los mais nutritivos (clique aqui). Escutavam-na, atentos, produtores de Pirenópolis e Corumbá (GO), e logo também a muito simpática chefe Margarida Nogueira, líder do convívio do Slow Food no Rio de Janeiro. Foi Margarida quem trouxe o movimento pro Brasil, há dez anos.

Fora isso, teve entrevista coletiva com o italiano Carlo Petrini, jornalista fundador do Slow Food; análise sensorial do gosto, oficina que deu uma apostila e um dvd pra levarmos pra casa, o que possibilita que a reproduzamos para nossos amigos; cajuína gostosinha com que o chef Ofir, de Belém (PA), me presenteou (acho que minha curiosidade funcionou, sem querer, como olho grande!); laboratório do gosto com preparo de beiju “normal” pelo seu Bené e, novamente, o chefe Ofir (que fez um beiju “moderno”, com castanha de baru e temperos diversos). Se bem que o do seu Bené também levou baru, me parece. Nessa hora eu já estava bem cansada e confesso que não consegui prestar muita atenção. Mas os beijus estavam muito saborosos!

Vou ficando por aqui. Preciso fazer o check out do hotel e ver o que está rolando no encerramento dos trabalhos, no Complexo da Funarte.

Mas, antes, conto que achei mais banheiros decentes (em vez dos famigerados químicos) e que as cadeiras não são tão desconfortáveis assim. Ruins mesmo são as da sala Cássia Eller.

No mais, tudo ótimo.

Esse é o licuri, um coquinho bem bom!

E “feira” é modo de dizer, pois grande parte dos produtores não trouxe quantidade suficiente para vender. Alguns apenas demonstram (caso do Reca), outros apenas vendem (caso da geleia de umbu, por exemplo), outros oferecem somente degustação (farinha de piracuí e mel de abelhas nativas da Amazônia)… (clique aqui e aqui para ver os posts anteriores).

Conversando com uma pessoa agora no café da manhã, sua avaliação é que o objetivo de a organização do evento ter dito aos produtores que não se tratava de um espaço para a venda dos produtos seria não desvirtuar os objetivos do encontro. (Não coloco o nome da pessoa porque não avisei que se tratava de uma entrevista – até porque não se tratava mesmo). Concordo.

No fim, alguns produtores acabaram trazendo alguns poucos produtos pra vender e outros, não.

O que queria avisar aqui é: a feira não está rolando no horário programado (18h às 22h). Não fiquei lá até mais tarde. Mas quando voltei para o hotel, por volta das 18h30, veio comigo na van uma produtora que estava na feira, avisando seus colegas que tinha guardado os produtos. Uma companheira de quarto, a senhora Maria Ferré, do Ceará,  me avisou que no local nem havia iluminação e, portanto, nem teria como continuar até as 22h.

Farinha de piracuí (que é um peixe)

Achei também que havia poucos produtores e produtos na feira. Dos oito estandes, apenas o do Nordeste estava bombando. Mesmo assim, achei uma delícia as coisas que experimentei, e recomendo: o licuri, o socol, a bijajica, a farinha de piracuí, o caqui desidratado e o saborosíssimo mel de abelhas nativas da Amazônia. Só não posso garantir que elas ainda estarão lá hoje.

Só me dei conta agora, pois se tivesse pensado nisso antes, teria perguntado se as outras pessoas sentiram o mesmo.

Quem me conhece sabe que como muito lentamente, e não é por opção. Simplesmente não consigo comer rápido, normalmente. Mas com tanta coisa legal acontecendo na programação do Terra Madre – que muitas vezes se extende para além do horário programado – somada à ansiedade de conseguir participar de tudo (mera ilusão)… me peguei comendo rápido no almoço! Bem estranho, ainda mais num evento promovido pelo Slow Food (slow = devagar).

Mesmo sendo aquela comidinha muito gostosa feita pela Gastromotiva – que é bem mais que um bufê, é uma escola que capacita jovens para entrarem no mercado de trabalho gastronômico. Ainda não sei muito mais, mas pretendo resolver isso entrevistando, se possível amanhã, o chefe de cozinha David Hertz, responsável pela iniciativa.

Também fui embora no papo com os produtores da Feira da Identidade Alimentar. Primeiro, com o pessoal do Reca (projeto de Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado, desenvolvido em uma região de Rondônia próxima ao Acre), que trabalha com produtos como o óleo de andiroba e a manteiga de cupuaçu, vendidos para a Natura.

Depois, com o senhor Teobaldo, que vive no projeto de assentamento Colônia 1, no município de Padre Bernardo (GO), onde produz orgânicos. Como sua região é quase na divisa com o Distrito Federal, ele e seus companheiros mantêm fortes laços com Brasília.  Seja pelo apoio técnico da  UnB (Universidade de Brasília) e da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), seja pelo apoio de órgãos do governo, onde participam de uma feira semanal – todas as quintas-feiras, no Palácio do Desenvolvimento (prédio do Incra). A feira também acontece às terças na 505 Norte e na UnB.

E vários outros produtores. Como a senhora Rita de Cássia Bernardete (a Nona), descendente de italianos do município de Venda Nova do Imigrante (ES). Gente, é uma delícia o socol, um tipo de embutido de carne suína que ela produz.

Papos tão agradáveis e ricos… que eu perdi os dois painéis que pretendia assistir!

No “Cada fruto no seu tempo – a importância da sazonalidade na valorização dos produtos do Cerrado”, pelo menos deu pra pegar o finalzinho e, melhor ainda, degustar produtos bem gostosos – como o suco de mangaba, a broa com tempero (?) de pequi, o bolo de banana com jatobá. Hmmmm!

Depois disso, já não aguentava ficar em pé. Vim embora para o hotel e acho que não consigo mais sair daqui hoje!

PORÉM…
Aliás, uma das razões porque eu já estava muito cansada de ficar em pé é que não há lugares para se sentar no local do evento (Complexo Cultural Funarte, aqui em Brasília). Organizaram um canto com alguns poucos sofás, bem fora de  mão. E assim, se você não está assistindo a uma palestra ou painel de discussão, onde há cadeiras (desconfortáveis) de sobra, não tem outra opção senão ficar em pé mesmo. Ou se sentar na grama, mas como havia chovido…

Meu outro bode é com os banheiros. Banheiro químico, pra mim, é o fim da picada. O negócio já está fedendo antes mesmo de ser usado, vira um forno sob o sol, não tem lugar para pendurar a bolsa, e é muito muito desconfortável. Sério, eu quase mijei no meu pé. Não averiguei por que razão os sanitários do teatro Plínio Marcos estão interditados. Na sala Cássia Eller achei um banheiro pra usar. Mas era só um masculino e outro feminino, não vão atender aos 500 presentes. E não fui só eu quem reclamou.

É claro que isso, diante da proposta do Terra Madre, tem menos importância. Acho que as críticas servem para irmos nos aprimorando.

Até amanhã!

Leia o post anterior sobre o Terra Madre, clicando aqui.

No supermercado, o normal é encontrarmos apenas o limão Tahiti – que, segundo a revista Mundo Estranho, é na realidade um tipo ácido de lima. É aquele bem verde, que corresponde a 90% dos “limões” cultivados no Brasil.

Já na feira, eventualmente nos deparamos também com o limão galego (que, da mesma forma, seria uma lima ácida) e o limão cravo – aquele de casca e polpa laranja, feinho mas muito gostoso. E só. Pelo menos, no momento, não me lembro de mais nenhum.

Eu nunca tinha visto esse limão da foto. Seu nome é “limão imperial”, segundo o dono do viveiro onde minha mãe comprou a muda. Esse veio da fazenda e não é o único cítrico diferente no pomar. Muito menos em outras partes do Brasil ou do globo. Novamente de acordo com a Mundo Estranho, há mais de 100 espécies no planeta. Só que, com tanta homogeneidade nas prateleiras, não me surpreenderia se alguém dissesse que existem limões correndo o risco de se extinguir.

Entre as propostas do Slow Food, movimento internacional de “ecogastronomia”, está justamente a preservação da diversidade dos alimentos. Para tratar desse e de muitos outros assuntos, como o papel do consumidor e a educação alimentar, além de divulgar produtos de todas as regiões do país, a associação realizará a partir de amanhã (19/03), em Brasília, o II Terra Madre Brasil. Veja a programação completa clicando aqui.

Das 18h às 22h, o evento é aberto ao público, com a Feira da Identidade Alimentar – que vai até domingo (21/03). Em nove estandes, poderemos ver, segundo a divulgação, o trabalho de vários pequenos produtores. Entre eles, pescadores de piracuí de Tamuá, quilombolas que fabricam a marmelada de Santa Luzia, produtores de beiju de coco babaçu molhado, indígenas produtores do guaraná Sateré Mawé, catadores de aratu (um tipo de caranguejo)… e por aí vai. Uma delícia, cheio de novidades para os olhos e o paladar.

A entrada é franca e o local é o Complexo Cultural da Funarte, que fica no Eixo Monumental, setor de Divulgação Cultural lote 2, Brasília, DF. A programação do II Terra Madre Brasil se encerra na segunda (22/03).

Para mais informação sobre o II Terra Madre, clique aqui. E acompanhe este blog!