Sinândia em sua loja, a Seivas e Aromas, no Jardim América (Goiânia)

Passei ontem no segundo dia do Fórum de Agroecologia que a Escola de Agronomia da UFG está realizando no auditório do Direito, na Praça Universitária. Vi um pedacinho só, pois pude chegar apenas no fim da manhã e assistir às primeiras apresentações da tarde.

Bem que queria ver também a fala da Sinândia, agricultora ligada à Adao-GO (Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica de Goiás) e uma das proprietárias da loja de orgânicos mais bacana da cidade. Mas o forte calor dentro daquela sala e uma baita dor de cabeça que me acometeu, mais o atraso que a chuva provocou (pois faltou energia), falaram mais alto.

A loja da Sinândia, que foi aberta em maio no Jardim América, se chama Seivas e Aromas e os motivos para sua bacanice são vários.

1-É o primeiro empório de produtos orgânicos em Goiânia a oferecer verduras, legumes e frutas. Grande parte delas chega todos os dias, fresquinha, direto do sítio dos proprietários: Evandro (Aragoiânia) e Pietro (Goianira), que é marido da Sinândia.

2-Os donos são produtores, o que significa que não há intermediários e que o que pagamos pelos alimentos vai direto pro bolso de quem mais labutou para eles estarem ali.

3-A oferta de industrializados é razoável. Exemplos: macarrão, molhos, geleias, arroz, pães, chás, sucos, azeites, sabonetes, shampoos…

4-A de produtos a granel, também: castanha de caju, arroz, feijão, aveia, linhaça, quinua, açúcar mascavo…

5-A loja é praticamente 100% orgânica.

6-Não é um empório “hippie” e, sim, uma loja bem branquinha e arrumada. Não tenho nada contra hippies, pelo contrário, mas acho que há um diferencial quando a Seivas e Aromas propõe a alimentação saudável em um ambiente mais organizado e com bom gosto.

Quando a Sinândia está lá, ainda ganhamos uma aula sobre práticas saudáveis. Outro dia, ela me explicou que a pimenta do reino, diferentemente do que costumamos escutar, é saudável. É boa pra digestão e dá uma boa limpada no organismo, de preferência se a comemos moída na hora. De quebra, achei mais umas informações interessantes sobre a pimenta do reino no site da “culinarista” Pat Feldman (clique aqui).

É claro que ainda há aspectos a melhorar, alguns deles ligados à oferta de orgânicos em geral. Em qualquer mercado que ofereça alimentos sem agrotóxicos, são poucas as frutas disponíveis, por exemplo.

Lá na Seivas há morangos, bananas, mamão… Já vi até maçã, que vem do Rio Grande do Sul – por um lado é bom, pois trata-se de uma das frutas que mais consumimos. Mas, por outro, não combina com a proposta de alimentos que causam menos impacto. Imagina só o combustível gasto até essa maçã chegar ali. São as food miles. Já escrevi sobre elas no site do Slow Food Brasil (clique aqui).

O endereço da Seivas e Aromas é: Rua C-220 com C-149, qd. 529, lt. 10, Jardim América, Goiânia (GO). Fica a uma quadra da T-9. Telefone: 62-3086-3909.

Mais informação:

 

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Desde que finquei novamente a bandeira em terras goianas, há poucos meses, tive a intenção de buscar e divulgar locais em que se comercializa alimentos orgânicos aqui na capitar.

Pouco antes de ir embora, há oito anos, lá em casa a gente consumia as cestas de produtores ligados à Adao-GO (Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica). Resolvi descobrir o paradeiro dessas e de outras pessoas que trabalham em prol da alimentação saudável e amiga do meio ambiente. Para quem ainda não sabe, os orgânicos são produzidos sem o uso de agrotóxicos, em equilíbrio com seu entorno.

A Natural Alimentos oferece alguns orgânicos e promove uma feirinha

Começo hoje, com a que parece ser uma das lojas de produtos saudáveis mais antigas de Goiânia: a Natural Alimentos, que fica na rua 4 do Centro (quase esquina com a Araguaia). Os orgânicos em si não são tão numerosos lá. Segundo o proprietário Fernando, devem corresponder a mais ou menos 3% do total de cerca de 1.200 produtos encontrados nas prateleiras.

Mas ao seu lado encontra-se uma boa variedade de integrais, de alimentos sem glúten ou açúcar e de produtos a granel. Por exemplo, o arroz cateto vermelho, que não se vê em qualquer lugar. Também há pães como o de baru, produzido pela Trem do Cerrado, em Pirenópolis (GO). Recomendo muito, esse pão é bem gostoso. E também pode ser encontrado em outros mercados, que ainda vou citar por aqui.

Ainda sobre a Natural Alimentos, eles promovem uma feirinha de hortifrutis orgânicos na loja. Ainda não conheci. Só sei que o “Japão”, que vem rotineiramente pra Goiânia vender os produtos da Fazenda Santa Branca (Terezópolis, GO), participa, pois ele havia comentado. Ela está suspensa no momento, por causa das férias de julho, segundo o sr. Fernando. Deve voltar a partir de 15 de agosto, em dia da semana a ser definido.

A loja tem hoje um pouco menos de 100 m2. E ainda tem um restaurante-lanchonete vegetariano a alguns metros de distância, chamado Estação do Açaí, com preços muito convidativos – R$ 6,50 o PF normal, R$ 4,50 o PF reduzido (muito bem servido). Alguns dos ingredientes,como a couve que acompanha a feijoada das sextas-feiras, vem da chácara onde vivem os proprietários Fernando e Verônica, no Alto da Glória.

O plano dos dois é ir além. Com um novo espaço que preveem inaugurar em setembro, pretendem aumentar a variedade de produtos oferecidos e criar uma padaria, mais um restaurante e uma loja de hortifrutis orgânicos, além de um auditório para eventos. A área para tanta atividade será de nada menos que 800 m2, e estará também na rua 4, esquina com a avenida Tocantins.

E, assim, poderemos comer melhor e ser mais saudáveis.

Serviço
Natural Alimentos
Rua 4, n. 134, lj. 11 e 12, Centro, Goiânia-GO
62-3229-1219

A horta em imagens

04/08/2009

Fui tirar foto da salsinha, e não resisti. Tá aqui o resto da família!

Bebe uma água danada. Mas dizem que é bem resistente. Pode ser um bom ponto de partida.

Bebe uma água danada. Mas dizem que é bem resistente. Pode ser um bom ponto de partida.

Também dizem que é das mais fáceis de cuidar. Só que é preciso retirar as florzinhas. Sim, elas são fofas! Mas "chupam" pra elas a energia e o aroma do resto da planta.

Também dizem que é das mais fáceis de cuidar. Só que é preciso retirar as florzinhas. Sim, elas são fofas! Mas "chupam" a energia e o aroma do resto da planta.

Tem até um projeto de alface na minha horta caseira. Também veio da AAO, junto com a salsinha.

Tem até um projeto de alface na minha horta caseira. Também veio da AAO, junto com a salsinha.

E aqui, um sinal inequívoco da minha megalomania: uma muda de abacate! Resultado de um lanchinho de meses atrás. Mas, calma, logo mais o levo a um lugar mais espaçoso que a minha área de serviço.

E aqui, um sinal inequívoco da minha megalomania: uma muda de abacate! Resultado de um lanchinho de meses atrás. Mas, calma, logo mais o levo a um lugar mais espaçoso que a minha área de serviço.

Essa é a salsinha que plantamos no curso da AAO.

Essa é a salsinha que plantamos na AAO

Para quem não quer gastar nada, a Escola de Jardinagem do Parque Ibirapuera também oferece cursos (assunto do post anterior). Ainda não descobri a melhor forma de acompanhar o calendário deles, sempre fico sabendo da programação por acaso e meio em cima da hora.

Uma vez mandei um email pra saber como ter acesso a essa informação, mais em longo prazo. Acho que eles não tem. Na resposta, me recomendaram telefonar lá. Para quem quiser, o número é 11-5539-5291 ou 11-5574-0705. E o email é oficinasjardim@prefeitura.sp.gov.br. Clique aqui e dê uma olhada no calendário de agosto da escola.

Confesso que uma vez consegui me inscrever (os cursos são disputados). Fui toda prosa, com uma roupa bem velhinha, jurando que ia voltar com a mão suja de terra. Chegando lá, me deparei com uma sala de aula com quatro paredes e uma pessoa falando sem parar. E o que ela dizia era muito muito básico, explicando sobre como o solo é formado, e outras mumunhas que já não me lembro (provavelmente pela falta de interesse, admito). Fiquei decepcionada, mas pretendo tentar de novo.

AAODesde o ano passado eu tento ter uma horta em casa. Afinal, poder colher umas folhinhas de salsa ou manjericão logo ali ao lado da cozinha é tudo. Sem desperdiçar quando você não usa todo aquele maço que compra na feira e, melhor ainda, com a garantia de que a erva não tem os venenos da agricultura convencional. Mas atenção: para isso não se deve usar nem o NPK (fertilizante de nitrogênio, fósforo e potássio). No lugar dele, o bom e velho húmus.

Mas sempre tive minhas dificuldades, e portanto resolvi, assim que soube a respeito, fazer esse curso da Associação de Agricultura Orgânica (AAO), daqui de São Paulo: horta caseira orgânica e compostagem. Foram quatro horas das mais proveitosas, num sábado, com aula teórica e prática.

  • Para quem não sabe, as ervas e hortaliças precisam de pelo menos 4 horas de sol por dia (“isso resolve 50% dos problemas”, disse o professor).
  • O solo é a parte mais importante de qualquer plantio e por isso ele precisa estar em equilíbrio, rico em nutrientes e sem compactação.
  • Também é importante colocar uma “cobertura morta”, com folhas secas, para protegê-lo.
  • Os temperos geralmente não gostam de vento.
  • Muito importante: quanto mais furos o vaso tiver, melhor. Não me pergunte por que esses vasos grandões de cerâmica muitas vezes só têm um furinho! Pelo jeito, é fracasso na certa, pois a terra precisa estar sempre bem drenada.
  • E para estar bem drenada, também é obrigatório, na hora de plantar: colocar seixos no fundo do vaso, areia por cima dele e, só em seguida, a terra, com um pouco de húmus.
  • Observar regularmente como vão indo as coisas por ali na horta é fundamental. Ou você acha que é só plantar e pronto?

O calendário de cursos da AAO é super variado e vale a pena conferir. Eles são pagos, mas como não são muito extensos, o preço é acessível (varia mais ou menos de R$ 50 a R$ 90, para quem não é associado). Pelo menos eu achei que meus R$ 50 foram muito bem empregados.

O professor foi o agrônomo Marcelo Noronha, que vira e mexe aparece nos jornais. Ele tem uma empresa cuja proposta é muito interessante e certamente reflete uma busca crescente das pessoas por mais contato com sua própria natureza – por exemplo, plantando sua própria comida (ou ao menos parte dela), restabelecendo contato com o solo e com a vida que brota dele – e por uma alimentação mais saudável. O nome é Minha Horta, e o trabalho é projetar hortas para pequenos (ou nem tanto) espaços em casas ou apartamentos bem urbanos.