Recebi um email do marketing da NET, sugerindo que eu indique amigos para contratarem a empresa. Em troca, recebo magníficos prêmios, como secadores de cabelo, pen drives ou ingressos de cinema.

Clique na imagem para ver melhor:

Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!

Adoro piadas.

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Subtítulo: o avião que virou ônibus

O servicinho da TAM se parece muito com essa fruta estragada, não?

As companhias aéreas estão entre os piores fornecedores neste país. Cometem abusos a torto e a direito, é mesmo para ficarmos muito cansados e sem ânimo para exigir um tratamento melhor. (Mas não podemos esmorecer!)

O namorido ia sair de Campinas (Viracopos) mais ou menos às 7h30 pela TAM (TAMO lascado, essa é a verdade), faria uma conexão em Brasília e às 10h30 chegaria a Goiânia. Gente, já não é ruim o bastante não haver vôo direto? Não só o avião atrasou como o atraso foi de mais de duas horas.

Além de toda essa espera no ponto de partida, já o informaram que o trajeto da Lama, ops, Brasília, para Gotham City será feito de ô-ni-bus. Como de carro a viagem dura duas horas, de ônibus não vai levar menos do que 2h30. Supondo que ele chegue a Brasília mais ou menos às 11h30, pegando o ônibus logo em seguida ele chegaria a Goiânia por volta das 14h. Com todo o desconforto que um descumprimento de oferta (artigos 6º, VI, e 35 do Código de Defesa do Consumidor) e um vício de qualidade do serviço (artigo 20), embarcados num busão, proporcionam.

Aqui cabe uma observação: não tenho absolutamente nada contra viajar de ônibus, muito pelo contrário! Mas é que se a pessoa escolhe viajar de avião, provavelmente é porque ela prefere chegar mais rápido, pelo que se dispõe a gastar mais.

A falta de punição que provoque algo mais além de cócegas ou que não seja tão leve a ponto de ser naturalmente incorporada aos “custos” das empresas; assim como a grande concentração do mercado em vários setores econômicos, a começar pelo aéreo… dão nisso. O consumidor toma na cabeça.

Enquanto o avião deveria estar indo...

... ele estava voltando!

Uma verdadeira palhaçada! Do que mais poderíamos chamar o seguinte?

Eu e meu “namorido” nos mudamos recentemente pra Goiânia. Ficamos longe da minha sogra e da minha cunhada, que, ao menos por enquanto, continuam morando em Campinas (SP). Assim, fiz uma campanha, antes de me mudar, pra que elas viessem em breve nos visitar. Achei que uma vinda logo de cara ajudaria a diminuir a distância. Além disso, a Gol estava com ótimos preços.

O problema é o serviço que eles oferecem. Ah, mas que servicinho!

Pra começar, olha que droga esse trajeto: Campinas-Belo Horizonte-Brasília-Goiânia. Mas tudo bem, elas decidiram encarar. Acordaram às CINCO DA MANHÃ, pra estarem a tempo no aeroporto e pegarem o vôo (desobediência ao acordo ortográfico) das 6h35. A previsão de chegada a Goiânia era para as 13h30… Só para comparar: um vôo decente – isto é, direto – levaria menos de uma hora e meia.

Em BH, o que era pra ser uma conexão chata virou uma surpresa muito mais desagradável. Lá pelas tantas, chamaram sogra e cunhada pelo alto-falante. O intuito era informá-las que o vôo (definitivamente, me recuso a esquecer o acento! Pelo menos aqui no blog) para Brasília, a segunda conexão, havia sido cancelado por “mau tempo”. Só se esqueceram de avisar que o mau tempo, na realidade, era o que eles estavam fazendo no dia das duas. Péssimo tempo!

Avisaram que iam colocá-las em outro avião. Mal sabiam sogra e cunhada o que a Gol estava armando pro lado delas. Eis a surpresa: foi só quando elas embarcaram no vôo substituto que ficaram sabendo… o destino era São Paulo (Congonhas)!!! Depois de se descabelarem, discutirem, exigirem ao menos que as pusessem em uma nova aeronave o quanto antes – já que já haviam sido mandadas quase de volta pro lugar de onde haviam partido, pior ainda, sem seu consentimento ou sequer anuência, aparentemente – lhes restava aguardar. Quando chegaram a Goiânia, eram quase 16h. Programão, hein?

Se a empresa vende uma coisa e entrega outra, podemos dizer que houve descumprimento da oferta (artigos 6º, VI, e 35 do Código de Defesa do Consumidor) e vício de qualidade do serviço (artigo 20). Também houve, ao que tudo indica, vício de informação (artigo 31).

E quando o fornecedor omite uma “informação relevante” sobre as características do serviço, como parece ter acontecido, está cometendo um crime (artigo 66), que prevê inclusive prisão de até um ano para os responsáveis. Mas alguém aí já viu um fornecedor ser preso por desrespeitar o consumidor?

Certas pessoas queridas minhas gostam de dizer como preferem as empresas privadas ao poder público. Afinal, segundo elas, se um fornecedor pisa na bola, você pode recorrer a outros. Só que, pelo que me parece, são inúmeros os exemplos de setores em que não adianta mudar. Você acaba caindo sempre nos mesmos golpes, com maiores ou menores variações. Internet e bancos são dois deles – mas isso já é assunto para outro(s) post.

No caso em questão, a única alternativa seria a Tam. Eu até acho que o serviço dela seja melhor mesmo que o da Gol. Mas ninguém me garante que, com ela, estejamos imunes a esse mesmo tipo de cagada. Por overbooking, eu já passei. Mesmo que recorrente, essa também é uma prática ilegal (artigo 35, mais uma vez).

(…mas poderia ter quebrado)

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Ao ler o post anterior, meu colega de faculdade – que não vejo desde a virada do século, na formatura – escreveu para contar uma história. É uma beleza esse mundo virtual!

O caso dele até corria o risco de ter o mesmo fim que o do músico canadense, cuja guitarra foi quebrada pela United Airlines, nos EUA. As diferenças entre uma história e outra são que meu colega, Pablo Alcântara (quase mais músico do que repórter desde os tempos de Jornalismo, mas sempre autor de ótimas crônicas!), é brasileiro; possui uma guitarra chamada Telecaster; viajou por outra companhia; e por sorte seu instrumento saiu ileso da brincadeira. Mas poderia ter se quebrado, afinal de contas sabemos que nossas malas nem sempre são bem tratadas pelas empresas aéreas. Já pensou?!

Eis sua história:

Oi, Elisa, dia desses TIVE que viajar de avião e levar minha guitarra. Antes de fazer o check in eu já havia decidido que não deixaria ela ser despachada de jeito nenhum. Mas se ela não fosse, eu também não iria. Os atendentes da Passaredo bateram os pezinhos ‘united’ e reforçaram que não era possível eu viajar com minha guitarra ali do ladinho, juntinho (também, o avião é tão pequeno que mal acomoda pessoas). Pior, ainda me fizeram assinar um documento dizendo que eu me responsabilizava por ter despachado o objeto e os livrando de responsabilidades. Não sei se isso tem validade. De qualquer forma, quando entrei no avião, grudei a cara na janelinha e assisti com o coração na mão o pessoalzinho com fones de ouvido descarregando as bagagens. E lá vinha minha telecaster, tadinha, sendo manipulada grosseiramente. Por sorte, meu estojo de guitarra é resistente e não tive nenhum problema. Faço o que puder para evitar isso de novo. Inclusive ir de carro!

Acho que há mais uma diferença entre as histórias. A Passaredo fez meu colega assinar o tal termo eximindo a empresa de responsabilidade, caso algo acontecesse a sua querida guitarra. Só que isso, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), é ilegal! Sim, acontece todos os dias, comigo, com você e com todo mundo. Como várias outras coisas ilegais. Mas nem por isso deixa de ser contra a lei!

Como já comentado aqui anteriormente, faz parte do contrato qualquer registro que integre a relação de consumo entre o usuário e o fornecedor, seja um folheto de publicidade ou um termo assinado pelas partes, como o documento mencionado pelo nosso amigo. Só que qualquer cláusula abusiva, como essa que exime a empresa de uma responsabilidade que é dela, é nula.

Está lá no artigo 51 do CDC. “São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: I- impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos”.

Isso vale mesmo que o documento esteja assinado. Afinal, o consumidor, parte frágil da relação, poderia não saber que a tal cláusula era abusiva, no momento da assinatura.

No que tange à bagagem, isso vale tanto para companhias aéreas quanto terrestres. Assim, se você vai de ônibus (ou mesmo de trem, vai saber se você está indo de Açailândia para São Luís do Maranhão), as regras são as mesmas.

Na próxima vez em que for viajar, não se esqueça disso! Ou, como Dave Carrol e Pablo Alcântara, vá de carro.

*P.S. No caso do trem, entretanto, vale dizer que a responsabilidade só é da empresa caso a bagagem esteja em algum compartimento específico, guardado pela companhia. Se ela estiver sobre sua cabeça, como a bagagem de mão dos aviões, a responsabilidade é toda sua.

Aproveito o hit do You Tube sobre a guitarra quebrada de um músico canadense, quando viajava pela United Airlines, para lembrar que a responsabilidade pela bagagem é, sim, da companhia. Pelo menos no Brasil. Isso é o que garante o Código de Defesa do Consumidor:

  • no artigo 6º, inciso VI, que trata dos direitos básicos do consumidor, entre eles, “a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos” e
  • no artigo 20, que diz que o fornecedor responde pelos vícios de qualidade de seus serviços.

Assistido por mais de 5 milhões de pessoas até o momento, o vídeo “United breaks guitars” (tradução: “A United quebra guitarras”) já tem a parte 2. E Dave Carrol, o músico, promete que haverá também a parte 3.

Ele conta que só depois dos vídeos é que a companhia decidiu oferecer uma “compensação”. Algo me diz que estava interessada era em ver o vídeo bem longe da web. Acho que ele pensou o mesmo. Dave Carrol sugeriu que a United doasse a quantia a uma instituição de caridade. E da próxima vez talvez ele vá de carro! ‘Cos United break guitars

AR_La_TorreO tempo voa. Foi em março que o La Torre Resort me cobrou uma diária a mais de internet e aqui estou falando novamente (ainda) do assunto. Eu achei que a notícia de hoje seria boa. Afinal, eu mandei uma carta para os caras falando dos meus direitos e exigindo meu dinheiro de volta. Isso foi no dia 8 de junho.

É, fui a uma agência dos Correios, coisa rara nos dias que correm. E mandei a carta com “aviso de recebimento” (AR), pra no fim das contas ter uma comprovação de que o hotel havia recebido a comunicação.

Gente, eu já estava achando que tinha arrumado mais um problema de consumo. Quando me dei conta, já era tipo 10 de julho e até então não tinha recebido o AR de volta! Estava pra ligar nos Correios reclamando, quando finalmente ele chegou. O carimbo dos Correios baianos – mais especificamente, porto segurenses – acusa que a carta só chegou lá no dia 9 de julho! Um mês e um dia depois do envio. E nem era Manaus ou Macapá. Já pensou?

Uma vez minha avó mandou uma carta pro meu irmão, que estava de intercâmbio em uma cidadezinha na Geórgia (EUA), chamada Cairo. Como ela se esqueceu de colocar o CEP ou o país, não lembro do que ela se esqueceu exatamente… a carta, dali um mês mais ou menos, voltou com carimbos de devolução do Egito! Nada mais compreensível.

Mas demorar um mês pra chegar a Porto Seguro, que fica a 1.500 quilômetros de São Paulo…

Não percamos nosso assunto de vista.

Um ou dois dias antes de receber o AR, na realidade, atendi a uma ligação:
– Recebemos a carta. A senhora está certíssima, me disse a voz com sotaque (francês).

No dia 13 de julho, numa nova ligação pegaram os dados da minha conta. Outra voz afirmou: “Vamos efetuar o depósito assim que possível”.

Já se passaram 15 dias. Será que ainda não foi possível? De repente é a internet que não está funcionando, e ir ao banco é muito difícil.

Da minha parte, ir ao Procon também não é assim super fácil e animador, mas eu juro que estou juntando vários problemas de consumo, pra ir lá e resolver tudo de uma vez.

Voltando ao assunto de me cobrarem duas diárias de internet wi-fi em um hotel de Porto Seguro (assunto do primeiro post).

Passaram-se os meses e eu resolvi dar atenção ao problema. Não é tanto pelo valor. Uma diária da tal internet wi-fi me custaria R$ 20 e conseqüentemente eu fui pilhada em outros R$ 20, com a diária “extra” proporcionada pelo hotel. A canseira que dá ficar correndo atrás de todas as picuinhas que colocam na nossa frente geralmente não vale os meros R$ 20. O pior de tudo, na realidade, é a nítida sensação de terem escrito isso na minha testa: O T Á R I A.

Como eu trabalhei no Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) durante quatro anos, deu tempo de aprender algumas coisas importantes. Por exemplo, que primeiro de tudo se deve tentar uma “solução amigável”.

Vou mandar uma carta para o La Torre Resort, falando sobre o direito à informação “adequada e clara”, prevista no artigo 6º inciso III do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que eles não respeitaram. O CDC  determina que a informação deve ser transmitida de maneira eficaz (artigo 31). Quando isso não é feito, pode ser configurado “vício do serviço”, de acordo com o artigo 20. Ou publicidade enganosa (artigo 37, parágrafos 1º e 3º). No jargão, “vício” equivale a “defeito”.

Darei um prazo de resposta e aguardarei. Caso não resolvam, já me informei que posso acionar o Procon de São Paulo – mesmo embora o problema tenha ocorrido na Bahia.